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5 bons livros para falar de morte com as crianças

O 'Estado' selecionou livros infantis que tocam, direta ou indiretamente, no tema da morte e do luto

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2019 | 14h47

Não é fácil lidar ou falar sobre a morte, muito menos com crianças. Evitar ou ignorar o assunto só faz a angústia crescer. Em recente entrevista ao Estado, o escritor Ilan Brenman disse que não tem medo de abordar a morte em seus livros e contou que um dia, numa escola, quando falava sobre seu título As Dobraduras do Samurai, ele foi questionado se era mesmo o caso de falar sobre isso com crianças.

“Você acha que ela não está ligada que o avô não está mais lá, que o cachorro morreu? É do interesse da criança a finitude”, comentou. É claro, ele diz, que não é para chegar com o tema gerador morte para uma criança de 3, 4 anos. “Só um psicopata faria isso. Mas boas histórias tocam nesse assunto. Na diversidade do mundo literário, tem que ter esse assunto. E onde ele está? No conto de fadas, nas lendas, no folclore, na literatura contemporânea infantil de qualidade. Mas dizem que não pode falar porque vai tornar a criança triste. Pelo contrário! Vai fortalecê-la quando ela estiver triste”, completou.

O Estado selecionou 5 bons livros que tocam, direta ou indiretamente, no tema da morte. Há outros títulos - alguns deles esgotados que mereciam voltar às livrarias, como Para Onde Vamos Quando Desaparecemos?, das portuguesas Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, encontrado em sebo por pelo menos R$ 100. 

 

5 livros para falar de morte e tristeza com as crianças

A Coisa Brutamontes

Vencedor do 3.º Prêmio Cepe de Literatura na categoria infantojuvenil e finalista do Jabuti, A Coisa Brutamontes, escrito por Renata Penzani e ilustrado por Renato Alarcão, abordam a questão a partir do olhar de uma criança. Como um menininho reage a ideia da morte? Trata-se de livro-interrogação. Há um lugar para ser criança e outro para ser velho? A velhice tem um lugar? A infância um dia acaba? Perto e longe são palavras desconhecidas? O que acontece quando uma criança se apaixona por alguém com muitos anos sem nem saber o que é gostar? 

A Coisa Brutamontes. Autora: Renata Penzani. Ilustração: Renato Alarcão. Editora: Cepe (44 págs.; R$ 40)

Iris

Da noite para o dia, a família de Íris descobre que ela está gravemente doente e precisa ser hospitalizada. Por meio do ponto de vista terno e ingênuo de sua irmã mais nova, que narra os sentimentos que a afligem, o leitor compartilha dos acontecimentos que transformam a rotina familiar, juntamente com o medo, a esperança e a tristeza que os acompanham. Com lirismo e delicadeza, a narrativa apresenta uma temática delicada, especialmente para o universo infantil: a doença progressiva de uma pessoa querida.

Iris. Autora: Gudrun Mebs. Ilustradora: Beatriz Martín Vidal. Editora: Pulo do Gato (80 págs.; R$ 41,60)

Harvey - Como me Tornei Invisível

Harvey vê sua vida virar de cabeça para baixo quando toma conhecimento da morte do pai. Invadido por um sentimento desconhecido e desolador, ele tenta se proteger da dor, refugiando-se em seu rico mundo de fantasia. Uma novela gráfica sensível e realista narrativa sobre a perda de um ente querido e a necessidade de encontrar recursos pessoais para superar a dor do luto.

Harvey - Como me Tornei Invisível. Autores: Hervé Bouchard e Janice Nadeau. Tradução: Luciano Machado. Editora: Pulo do Gato. (168 págs.; R$ 45,60)

Vazio

Vazio conta a história de uma garota que começa a sentir.... um vazio. Ela tenta preenchê-lo das mais diversas formas, chega a desistir e começa a tentar viver com esse buraco. Até que descobre uma forma de transformar essa tristeza em algo mais. Não é um livro que fala sobre morte exatamente, ou abertamente, mas é, sobretudo, sobre como lidar com as perdas.

Vazio. Autora: Anna Llenas. Tradução: Silvana Tavano. Editora: Salamandra. (84 págs.; R$ 51)

A dobradura do Samurai

Há muito tempo o origami faz parte da vida dos japoneses. Os samurais já utilizavam essa técnica para desenvolver a coordenação motora, o tato e a circulação sanguínea. Era esse o caso do famoso guerreiro Massao Kazuo, mestre também na arte de dobrar papéis. Seu filho, Mitio, gostava principalmente de ver o pai fazer o tsuru, dobradura que representa o grou, ave da saúde e da fortuna. Bom observador, Mitio logo se torna um especialista na arte do origami. Até o dia em que seu pai adoece, e Mitio resolver dobrar mil tsurus para tentar salvar Massao. A dobradura do samurai relembra uma antiga lenda japonesa, segundo a qual quem dobrasse mil tsurus teria seus desejos realizados. 

A dobradura do Samurai. Autor: Ilan Brenman. Ilustrador: Alex Herrerías. Editora: Moderna. (39 págs.; R$ 49)

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