2015: O ano em que os prêmios literários fugiram do óbvio e não foram unânimes

Com o anúncio dos vencedores do Prêmio Oceanos, na terça-feira, 8, está completa a lista dos melhores romances de 2014

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 04h00

A temporada de prêmios literários chegou ao fim da noite de terça-feira, 8, com a entrega do novato Oceanos. Criado por Selma Caetano e pelo Itaú Cultural depois da extinção do Portugal Telecom, ele escolheu Mil Rosas Roubadas (Companhia das Letras), obra de Silviano Santiago que mistura ficção, biografia, autobiografia e ensaio, como o melhor livro de um autor lusófono editado no Brasil em 2014.

A obra premiada resgata a história de amizade de quase seis décadas entre o narrador e Zeca, entre o autor e Ezequiel Neves, produtor musical e parceiro de Cazuza em Exagerado – daí o título. Um livro corajoso escrito por um dos principais críticos literários brasileiros.

“Foi um livro necessário. Eu queria deixar este depoimento, mas foi difícil pela convivência obsessiva – o romance tem quase 300 páginas – com um tema doloroso e que representa a condição de sobrevivente”, disse ao Estado após a cerimônia. Silviano sempre achou que morreria antes, e que “seu rastro” seria contado pelo amigo. “No momento em que o vi morrer decidi escrever essa história. É o livro de um sobrevivente, sobre a dor da sobrevivência. Uma dor muito maior do que a da mera perda”, conta o escritor, que trabalha, agora, num romance sobre os quatro últimos anos de vida de Machado de Assis e cujo tema central será sua epilepsia.

Este ano, Silviano Santiago foi, ainda, finalista do Prêmio São Paulo, mas quem venceu foi Estevão Azevedo, com Tempo de Espalhar Pedras (Cosac Naify). Silviano ganhou R$ 100 mil e Estevão, R$ 200 mil. Uma curiosidade: Tempo de Espalhar Pedras foi um dos 14 finalistas do Oceanos, mas não chegou a ficar entre os quatro melhores títulos de acordo com o júri, e isso traduz o que ocorreu com os prêmios este ano. Houve algumas coincidência nas listas de romances finalistas, mas não na hora da premiação.

Maria Valéria Rezende, autora do melhor romance do Jabuti e vencedora, também, do Livro do Ano de Ficção (somando, ela ganhou R$ 38.500), não viu seu Quarenta Dias (Alfaguara) na final de nenhum outro prêmio. Tércia Montenegro, que ganhou o Prêmio da Biblioteca Nacional (R$ 30 mil) com Turismo Para Cegos (Companhia das Letras), também não.

O Oceanos distribuiu R$ 230 mil em sua primeira edição. O segundo lugar (R$ 60 mil) ficou para Por Escrito, de Elvira Vigna. O terceiro (R$ 40 mil), para A Primeira História do Mundo, de Alberto Mussa, que concorreu, também, ao São Paulo, e o quarto, para o livro de poemas Soccola de Feira, de Glauco Mattoso, finalista do Jabuti.

Mudança. A partir de 2016, o Oceanos vai aceitar a inscrição de obras de autores lusófonos não necessariamente publicadas no Brasil, informou a curadora Selma Caetano.

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