Lauren Fleishman/The New York Times
Lauren Fleishman/The New York Times

10 livros essenciais de Ian McEwan

Escritor inglês - e um dos principais nomes de sua geração - faz 70 anos

André de Leones, Especial para o Estado de S. Paulo

21 Junho 2018 | 06h00

Ian McEwan nasceu no dia 21 de junho de 1948, em Aldershot. Passou a infância em países da Ásia e da África e na Alemanha, e voltou à Inglaterra aos 12 anos. Formado em literatura, lançou seu primeiro romance, Jardim de Cimento’, em 1978. No seu aniverário de 70 anos, a Companhia das Letras relança A Criança e no Tempo e lança Meu Livro Violeta, com um conto inédito em livro e um libreto de ópera.

 

Veja 10 livros essenciais de Ian McEwan

PRIMEIRO AMOR, ÚLTIMO SACRAMENTO (1975)

&

ENTRE LENÇÓIS (1978)

Trad.: Roberto Grey. Rocco, 1998.

Os dois primeiros livros são coletâneas de contos, lançadas no Brasil em um único volume pela Rocco. As narrativas são breviários de perversidades e violências, o tipo de coisa alegremente grotesca que lhe valeu o apelido Ian “MacAbro”. Personagens apaixonados por manequins. Gente com genitais em vidros de conserva (herança de família). Incesto. Há um pouco de tudo. E há o mais importante: contos tão bem escritos e imaginativos que, passada a repulsa, resta uma beleza insuspeita.

O JARDIM DE CIMENTO (1978)

Trad.: Jorio Dauster. Companhia de Bolso, 2009.

O romance de estreia. Na história, o pai e depois a mãe morrem, e os órfãos passam a, literal e perturbadoramente, “brincar de casinha”. Um elemento estranho é introduzido na brincadeira. Há um corpo enterrado por ali. E irmãos e irmãs.

AO DEUS-DARÁ (1981)

Trad.: Waldéa Barcellos. Rocco, 1997.

Sádicos e masoquistas, uni-vos! Um casal em segunda lua-de-mel erra por uma cidade que talvez seja Veneza. Lá, conhece outro casal. Uma teia é armada. E um “crime comum” é cometido. Não se engane com a brevidade do livro.

A CRIANÇA NO TEMPO (1987)

Trad.: Geni Hirata. Rocco, 1997 / Jorio Dauster. Companhia das Letras, 2018.

Terceiro romance, primeiro sacramento. Aqui se insinua uma possibilidade de redenção ou, pelo menos, expiação. E calor humano, coisa até então rara em seus escritos.

O INOCENTE (1990)

Tradução: Alexandre Hubner. Companhia das Letras, 2003.

Na Berlim do começo da Guerra Fria, McEwan reencontra “MacAbro”. O título do livro poderia ser: “As viagens de Otto”. Leia nem que seja para entender a piada.

AMSTERDAM (1998)

Trad.: Paulo Reis. Rocco, 1999 / Jorio Dauster. Companhia das Letras, 2012.

Tido por alguns como o trampolim que levaria o autor às alturas de Reparação, este romance agraciado com o Booker Prize é bem mais do que isso. A fábula moral que desenrola envolve algumas escolhas e, como toda fábula moral, é na verdade uma armadilha. Deixe-se levar pela música (mas não muito).

REPARAÇÃO (2001)

Trad.: Paulo Henriques Britto. Companhia das Letras, 2002.

A obra-prima de McEwan. A princípio, o romance se apresenta como a história de uma paixão malograda pelas intrigas de uma terceira (e inusitada) parte. Mas, na verdade, é um esforço de expiação por meio da fabulação literária, tão bem-sucedida esteticamente quanto malfadada “na prática”. Os Mortos de Joyce voltam à vida, e Evelyn Waugh sorri desde o além.

SÁBADO (2005)

Trad.: Rubens Figueiredo. Companhia das Letras, 2005.

Em 15 de fevereiro de 2003, protestos contra a Guerra do Iraque tomaram Londres. Acompanhamos o protagonista, um médico de meia-idade, em sua jornada contra o dia. Ciente da pulsação histórica do momento, McEwan encapsula conflitos e tensões: o clímax enseja violência, mas também algum consolo. “O mar está calmo esta noite...”.

ENCLAUSURADO (2016)

Trad.: Jorio Dauster. Companhia das Letras, 2016.

Uma reimaginação de Hamlet em que o narrador é nada menos do que um feto. Afinal, de “que serve a imaginação senão para visualizar, saborear e repetir possibilidades sangrentas”?

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