Zugazagoitia vai mostrar essência da arte brasileira em NY

Julian Zugazagoitia, curador do Museu Guggenheim de Nova York, foi contratado recentemente com uma missão específica: descobrir uma "essência" na arte do País para engendrar a maior mostra brasileira já montada nos Estados Unidos."O Guggenheim sempre tem a intenção de fazer exposições essenciais, reunindo objetos muito selecionados", disse em entrevista exclusiva ao Estadão.com.br, na manhã de terça-feira. A mostra Brazil - Body and Soul (Brasil - Corpo e Alma), que será aberta no Guggenheim em 23 de setembro de 2001, leva 250 obras do País e busca justapor peças barrocas dos séculos 17 e 18 com trabalhos do modernismo e da arquitetura brasileiras. Zugazagoitia tem o apoio de mais cinco curadores do Guggenheim e de três brasileiros (Emanuel Araújo, Nelson Aguilar e Myriam Ribeiro). A ´caça´ às peças começa no dia 5, quando os curadores vão a Minas Gerais.Zugazagoitia foi curador, recentemente, da exposição Passión por la Vida, que reunia exemplares de toda a arte mexicana do século 20 em Nápoles, Itália, organizada pela americana Fundação John Paul Getty. Também organizou uma grande mostra de arte egípcia no Museu de Arqueologia de Veneza. Sua experiência internacional o leva a dizer que há pelo menos uma grande peculiaridade na arte brasileira: uma história "contínua e ininterrompida"."Observando obras de Frans Post e Eckhout na Mostra do Redescobrimento é possível ver que o passado refresca e transforma o Brasil numa fonte de inspiração para o mundo", disse. "Em relação ao barroco mexicano e latino-americano em geral, nota-se que a diferença brasileira é a influência africana, que dá mais sensualidade à representação, à maneira de esculpir e às capelas", afirma. Para ele, a arte barroca nacional tem "particularidade, excelência e singularidade". Para a mostra em Nova York, eles planejam levar uma capela barroca completa e um altar. Nenhuma peça em especial foi definida ainda, mas os nomes de artistas já estão pré-selecionados. Do barroco, vão Manuel Inácio da Costa, frei Agostinho da Piedade, Francisco Xavier de Brito e, claro, Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho. Entre os modernistas, estarão Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Vicente do Rego Monteiro, Anita Malfatti e Lasar Segall.A exposição também vai incluir exemplos de arte conceitual e de artistas performáticos dos anos 50, 60 e 70. Entre eles, Hélio Oiticica e Lygia Clark. A parte arquitetônica vai dar ênfase ao trabalho de Niemeyer, Lúcio Costa e do paisagista Burle Marx.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.