Zorro brasileiro é mais caliente

Musical estreia na sexta-feira com dose de sensualidade à moda latina

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

Em seu romance Zorro - Começa a Lenda, Isabel Allende narra a história da família, as origens e o temperamento de um rapaz californiano no século 19, que chega a se converter no justiceiro mascarado. Escrito por encomenda, o livro narra a infância e primeira juventude de Diego de la Vega nascido em 1790, na Alta Califórnia, filho de um capitão espanhol e uma índia rebelde. "Apesar de inspirado na obra de Isabel, nossa história se passa depois de encerrado o livro", conta o ator Jarbas Homem de Mello, protagonista de Zorro, o Musical, que estreia sexta-feira no Teatro das Artes, no shopping Eldorado.

De fato, enquanto o livro da escritora chilena termina quando Dom Diego decide se converter no justiceiro mascarado, a peça vai além, acompanhando sua luta contra o próprio irmão, Ramon, que governa seu povoado de forma tirana. "Mas o espírito da narrativa de Isabel influencia o ritmo e o perfil dos personagens do musical", conta Jarbas, que vai ser o protagonista até a chegada de Murilo Rosa, em agosto (leia ao lado).

Assim, influenciado pelas linhas da escritora chilena, Zorro desponta como um herói popular, romântico, cômico, atlético e em luta pela justiça, no musical que traz 27 atores no elenco, além de uma banda com dez músicos, que interpreta sucessos do grupo francês Gipsy Kings, como as canções Djobi, Djoba, Bamboleo e Baila Baila.

O original estreou em Londres em 2008 e, depois de nove meses de sucesso (recebendo 5 indicações ao prêmio britânico Olivier), seguiu para Paris, onde cumpre temporada no Folies Bergère. O próximo passo é chegar à Broadway. A proposta é a de exibir muita vitalidade em cena, embalada pelos passos de flamenco. "Na verdade, nossa montagem é muito mais latina e sensual que a europeia", acredita o diretor de produção César Castanho, que participou da compra de direitos, iniciada em fevereiro do ano passado. "O original inglês traz uma frieza que causaria estranheza ao nosso público, embora fosse compatível ao da Inglaterra. Por isso, decidimos comprar os direitos apenas do texto e do uso das músicas."

Apesar da desconfiança do produtor inglês ("Eu lhe disse que, depois de assistir ao nosso espetáculo, ele certamente mudaria o dele"), Castanho e os demais produtores da agência boOm! investiram em um tom mais caliente, presente até na coreográfica luta de espadas. "Há uma intenção dramática no jogo de esgrima", conta Jarbas que, se domina a dança flamenca, precisou praticar durante horas o uso da espada. "Diego de la Vega é um exímio esgrimista, mas gosta de malandragens", conta o ator, que coleciona cortes na mão e no braço provocados nos ensaios. "A tarefa é dura: lutar com precisão mas também brincar com o florete."

Camilla Camargo, que vive Luiza, amor de infância de Diego de la Vega, não luta com a espada - como faz Catherine Zeta Jones, na versão cinematográfica estrelada por Antonio Banderas -, mas encontrou um poderoso apoio na obra de Isabel Allende. "O livro me ofereceu um vivo retrato daquela época, com detalhes dos costumes e do ambiente", explica. "Também descobri a postura feminina, especialmente Luiza, que contesta o poder masculino mas respeitando um limite."

O musical vai ainda inaugurar o chamado teatro conceito, com a cenografia do palco também decorando a bilheteria e o hall de entrada.

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