"Zona Branca" atrai trupe de pesos pesados

Uma trupe de pesos pesados - Arrigo Barnabé, Chico César, Rodrigo Garcia Lopes, o guitarrista Luiz Waack e o violonista Madan - participam nesta terça-feira da noite de autógrafos e leitura de poemas no lançamento do livro Zona Branca, de Ademir Assunção. Zona Branca, título extraído de uma obra do compositor norte-americano Frank Zappa (White Zone), é o retorno de Ademir Assunção à poesia, depois de sete anos do lançamento do seu primeiro livro, Lsd Nô. Neste tempo, ele publicou dois livros em prosa A Máquina Peluda (1997) e Cinemitologias (1998). A presença dos músicos na trupe da noite de autógrafos não é casual. A poesia de Ademir Assunção é marcada pela forte musicalidade das palavras e dos versos. Glauco Mattoso, que assina o texto da contracapa do livro, é quem lembra: "Ademir Assunção caracteriza o poeta que poderia ser chamado de completo, no sentido dos sentidos. Tem olhar oswaldiano, ouvido de músico, tato psicossocial, faro jornalístico e paladar tipicamente brasileiro, embora globalmente antropofágico."A acuidade da visão de Ademir sobre a realidade deste início de século gera poemas vigorosos, densos e perturbadores. "Minha poesia está mais ligada à guitarra de Jimi Hendrix do que aos versos de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira ou Mário de Andrade", diz ele. "Vivemos numa época de muita informação mas de baixíssima percepção e me lembro quando perguntaram ao escritor William Burroughs que conselho daria aos jovens artistas e ele respondeu: pelo amor de Deus, mantenham os olhos abertos. Percebam o que está acontecendo em volta."A noite de autógrafos de Zona Branca, editora Altana, acontece no Finnegan´s Pub (Rua Cristiano Vianna, 358, Pinheiros, São Paulo), a partir das 20 horas. Um poema:OLHOS ELÉTRICOSponta de pedra aguda faces rasgadas, bétulas amargasvocê me diz psiu, violência no jeito de piscar as pálpebras pássaros tristes entre cães aprisionados enfim vivemos num cenário onde crianças com olhos elétricos vasculham os bolsos de lady solidão musas sádicas me acariciam com unhas de gilete lábios em carne-viva, mil beijos de medusa - strippers que após a roupa arrancam a própria pele e você vira as costas, arrasta-se como um mamute pelo corredor arremessando um "boa noite" que me acerta em cheio na testa Eles falam de Ademir Assunção: "O corte preciso dos versos, a fluência do ritmo, as elaboradas tessituras sonoras, o baque e o pique, a contundência e a consciência de linguagem dão vida à poesia de Ademir Assunção. E poesia sobrevie de vida."Arnaldo Antunes, sobre "LSD Nô" (1994)"Galáxias do universo, galáxias de Haroldo de Campos, toques leminskianos e dicção de Guimarães Rosa, o videoclipe e a aparente algaravia que nos dão muitas vezes as tecnologias de ponta algo que ainda está para ser incorporado à nossa linguagem corrente, mas já aparece neste livro estranho e perturbador."Boris Shnaiderman, sobre "A Máquina Peluda" (1997)

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