Zita Carvalhosa

Estudou cinema em Paris, foi curadora do MIS, é produtora, mãe, esposa e este ano comemora o ''Feminino Plural'' no Festival Internacional de Curtas de SP

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2011 | 00h00

O tema do Festival Internacional de Curtas de SP, do qual você é uma das criadoras e diretora, este ano homenageia o Feminino Plural. Como surgiu a ideia?

Surgiu deste momento especial que o Brasil passa. Ainda que não haja uma "data" especial para se comemorar o feminino, é um momento especial para as brasileiras. Temos uma presidente, uma diretora do audiovisual, profissionais de cinema que produzem cada vez mais e melhor... Por isso é que nesta 22ª edição, o festival, além de suas sessões clássicas, vai ter a mostra Feminino Plural, que exibe o quão diversos são os filmes dirigidos por mulheres. Haverá também a sessão de Feminino Plural, que foi dirigido por Vera de Figueiredo e está completando 35 anos.

Esta ideia nasceu também de sua experiência como "mulher plural", que é produtora, diretora de festival, mãe, esposa...

Com certeza. Faço parte de uma geração de mulheres que conseguiu ter uma vida profissional e, ao mesmo tempo não deixar de ser mulher, de ter sua vida pessoal. Lembro que uma vez uma produtora alemã de um festival de cinema "descobriu" que eu era casada e que tinha uma filha. Ficou espantada. Perguntou: Como você dá conta, de trabalhar em um museu, criar uma filha, ter um marido e ter filho? E respondi: Isso é Brasil. Não acho que seja assim só porque as mulheres de classes mais altas podem ter babás, empregadas domésticas. Mesmo quem não pode pagar tem a ajuda da avó, da tia, da vizinha, da irmã. As brasileiras, informalmente, articularam-se para isso.

Tanto porque, mesmo com avanços, ainda faltam creches e serviços para a mulher que trabalha. E, em muitos casos, ainda ganham menos que homens no Brasil pela mesma função. Ainda há mais homens dirigindo longas-metragens que mulheres...

Verdade. Mas isso também está mudando. Ao longo dos 22 anos do festival, vi o número de diretoras aumentar, tanto de curtas quanto de longas. Há tantas produtoras de cinema incríveis. E esta, por exemplo, é uma função que combina com a mulher, pois exige liderança e o talentos para realizar muitas tarefas ao mesmo tempo. E é isso que o Feminino Plural que mostrar. A diversidade. Não necessariamente "temas femininos ou feministas". Mas sim filmes e histórias boas. E é o que importa.

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