Zélia Gattai, a quarta mulher na ABL

A cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras que a partir desta tarde será ocupada pela escritora Zélia Gattai tem história. Teve como fundador o maior escritor brasileiro, Machado de Assis, que presidiu a instituição por dez anos. Machado escolheu como patrono da dita cadeira o não menos importante escritor José de Alencar, de quem havia sido amigo e admirador. Seu último ocupante foi o escritor Jorge Amado, eleito em 1961, e um dos nomes de maior repercussão da literatura brasileira no mundo. Ele foi casado com Zélia durante 40 anos. A disposição da viúva em se candidatar à sua vaga causou polêmica. "Estou muito contente, não esperava tanto", declarou a escritora, de85 anos, sobre o resultado da eleição, que terminou com 32votos a seu favor e apenas quatro contra. Zélia competiu com outros dez candidatos. Um dos mais fortes concorrentes era o jornalista e escritor Joel Silveira, que ficou com os quatro votos, Ieda Otaviano, Waldemar Claudio dos Santos, Marcelo Henrique, Diógenes Magalhaes, Rachel da Gama Sampaio, Eliane Ganem, Elias Antunes, Cid Paulo Ferreira e Fernão Avelino.Com o resultado da eleição, a Academia Brasileira de Letras tem agora quatro mulheres em seu quadro de imortais: Nélida Piñon, que já presidiu a instituição, Rachel de Queiroz, que foi a primeira mulher a entrar para a ABL, em 1977, Lygia Fagundes Telles e agora, Zélia Gattai.A viúva de Amado, filha de imigrantes italianos, nasceu em 2 dejulho de 1916, em São Paulo, onde na adolescência participou das manifestações políticas dos grêmios operários e abraçou a doutrina do anarquismo.Sua candidatura à vaga de Jorge Amado foi impulsionada pelo próprio presidente da Academia, Arnaldo Niskier, que deixou claro que fez isso "pelos próprios méritos de Zélia como escritora" e não como homenagem à memória do autor de Dona Flor e seus Dois Maridos.A viúva do criador de personagens sensuais como Gabriela, de Gabriela, Cravo e Canela, Tereza, de Tereza Batista Cansada de Guerra é autora de 13 livros, entre os quais se destaca Anarquistas, Graças a Deus, Jonas e a Sereia e o recém-lançado Código de Familía, contendo uma série de revelações sobre expressões usadas por sua família e de sua intimidade com Jorge Amado.Zélia recebeu dezenas de prêmios no Brasil e também na França e em Portugal por suas obras, países em que seus livros tiveram uma grande acolhida. Superado o impacto da morte de seu marido, falecido no dia 6 de agosto, quatro dias antes de completar 89 anos, Zélia retomou sua atividade literária e há dez dias foi uma das atrações da Feira do Livro de Guadalajara, no México, dedicada este ano ao Brasil.Após a eleição de Zélia, a Academia Brasileira de Letras deverá promover a eleição para a vaga deixada pelo diplomata, economista e escritor Roberto Campos, que faleceu em outubro. Um dos mais fortes candidatos para a cadeira ocupada por Campos é o escritor Paulo Coelho, autor de numerosos êxitos comerciais, como O Alquimista, Brida e Verônica Decide Morrer.

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