Zeca Baleiro cria peça para crianças

Faz tempo que Zeca Baleiro planeja lançar um disco para crianças. Muito antes de a prática tornar-se corriqueira entre artistas da MPB, o músico já colecionava algumas canções e separava faixas que compôs para os dois filhos. Os planos, porém, foram sendo sempre adiados e acabaram por ganhar outro formato: no lugar do álbum, Baleiro criou o musical infanto-juvenil Quem Tem Medo de Curupira?.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

No espetáculo, que abre temporada hoje no Teatro do Sesi, o músico se aventura pelo território da dramaturgia. Vale-se de personagens do folclore brasileiro, como o Saci, o Curupira, e a Iara, para construir uma fábula com ares de chanchada e laivos de teatro de revista. "Sou fã das chanchadas", diz o compositor maranhense. "Desse clima de pastelão, dessa situação em que os cortes não são necessariamente lineares, em que as músicas entram interrompendo a cena e criando outras realidades."

Em Quem Tem Medo de Curupira?, muitas são as canções convocadas para instaurar novas realidades: quase 20, ao longo de 90 minutos de peça. "O texto serve como costura entre uma música e outra", comenta a diretora Débora Dubois, que afirma ter construído cada um dos blocos da montagem autonomamente, como se estivesse diante de uma série de videoclipes. Para reforçar a aura de musical, os atores não apenas cantam e tocam instrumentos, mas também apresentam coreografias com nítida influência das danças populares como o coco e a embolada.

Universo pop. Outras referências importantes no musical, aponta a diretora, surgiram da simbologia dos orixás. Elementos da cultura urbana e pop, porém, não foram negligenciados: aparecem tanto na escolha dos figurinos como na seleção dos ritmos, que passam pelo rock e pelo rap.

Nessa espécie de opereta fantasiosa, Baleiro conduz suas personagens em uma fuga da floresta em direção à cidade. Sentindo-se desprestigiados, Saci e sua turma resolvem deixar a mata para um teste de popularidade. Querem, enfim, descobrir se as pessoas ainda creem na sua existência e se ainda os temem. "Pretendia tirar as lendas brasileiras desse ambiente sagrado e levá-las para um lugar mais burlesco. Essa travessia deles é pop e tem muito a ver com a globalização."

Ainda que Baleiro evoque a globalização e toque em mudanças trazidas pelo advento do mundo digital, sua fábula foi escrita há mais de 20 anos. "A peça é de 1988, quando participava de grupos de teatro infantil em São Luís (MA)." Ele garante, porém, que seu prometido álbum para crianças deve demorar um pouco menos para se concretizar. "As músicas estão prontas. Planejo lançá-lo no ano que vem."

QUEM TEM

MEDO DE CURUPIRA?

Sesi. Avenida Paulista, 1.313, 3528-2000. Sáb. e dom., 16 h. Grátis. Até 12/12.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.