Zé Celso volta à cena com "Sertões"

Uma das portas do Teatro Oficina se abre. Cantando Ciranda, Cirandinha, os atores saem de mãos dadas, serpenteiam e convidam o público a entrar, com eles, pela outra porta. Assim, ao som de uma canção infantil começa o espetáculo Os Sertões - O Homem, teatralização concebida pelo diretor José Celso Martinez Corrêa para a segunda parte do livro de Euclides da Cunha (1866-1909) sobre Canudos, que estréia nesta sexta-feira no Teatro Oficina. Euclides dividiu o seu livro - um extenso ensaio no qual busca entender o massacre dos seguidores do beato Antônio Conselheiro - em três grandes capítulos. Com a brincadeira de roda que abre o espetáculo, os atores anunciam uma regressão no tempo. A primeira parte da peça gira em torno da formação do homem brasileiro a partir da miscigenação entre índios, europeus e africanos e no entrecruzamento de mestiços diversos. Embora a violência esteja presente - o estupro de negras e índias não é esquecido -, não há maniqueísmos. É comovente, por exemplo, a teatralização do trecho em que Euclides fala do ´exílio´ dos primeiros colonizadores portugueses, recriada como um belíssimo fado. O Homem passeia pela história do Brasil. Cenas da história oficial ganham vida na passarela do Oficina. A encenação tem uma carga de humor. Há um trecho em que Euclides contrapõe o gaúcho ao vaqueiro nordestino. Na peça, esse contraponto se transforma em diálogo, depois duelo, e termina em futebol. O famoso trecho que diz "o sertanejo é, antes de tudo, um forte" é cantado por um coro de 30 atores - homens, mulheres e crianças. No palco, são 40 atores, e músicos, alguns de pele alvíssima; outros negros retintos; mulatos de várias cores; tipos que remetem a regiões diversas como Norte e Nordeste e ao índio. A ciranda volta para fechar o espetáculo. Zé Celso define como peça-coral sua teatralização de Os Sertões. Cada ator tem o seu momento de corifeu. Mas cabe ao coro a narrativa da luta dos sertanejos de Canudos para mudar o destino. Os Sertões - O Homem, Parte 1. Dur. 4h30 (sem intervalo). Sábado e domingo, às 18 horas. R$ 20,00.Teatro Oficina. Rua Jaceguai, 520, tel. 3104-0678. Até 26/10. Hoje, quinta, sessão só para convidados

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