Zé Celso veste Flávio de Carvalho

Zé Celso veste Flávio de Carvalho

29.ª Bienal confirma diretor do Oficina como uma das atrações do tributo ao multiartista revolucionário

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2010 | 00h00

Bem antes de andar pelo centro de São Paulo, em 1956, com o New Look ? de saiote, blusão de mangas fofas, chapéu, meia arrastão e sandálias de couro ?, Flávio de Carvalho (1899-1973) realizou, em 1931, a Experiência n.º 2 caminhando de boné, em sentido contrário a uma procissão católica de Corpus Christi (e ele quase foi linchado pelas pessoas na rua). É sobre esse espírito transgressor do artista que a 29.ª Bienal, a ser realizada a partir de setembro, vai se debruçar. No caso da Experiência nº 2, valendo-se de documentos. Mas, mais ainda, apresentando Flávio de Carvalho de maneira viva e dinâmica: por meio da encenação de sua peça Bailado do Deus Morto, de 1933, pelas mãos de outro artista provocativo, o diretor José Celso Martinez Corrêa.

Atentado ao pudor. Em 1933, Flávio de Carvalho criou o Teatro da Experiência, no Clube de Arte Moderna, encenando seu espetáculo de teatro-dança com cenários, figurinos e iluminação também de sua autoria ? e os atores-dançarinos, muitos deles negros, usavam máscaras de alumínio. Como estão nos relatos, o teatro acabou fechado pela polícia porque a encenação foi considerada "atentado ao pudor e aos bons costumes".

Agora, pela proposição do artista plástico e produtor cultural Fábio Delduque, surgiu a oportunidade de se resgatar um plano antigo dele e de Zé Celso: fazer uma versão do Bailado com atores do Teatro Oficina e convidados em um lugar especial, a Fazenda Capuava, em Valinhos (SP), projetada por Flávio de Carvalho (também foi arquiteto) e na qual ele morou até sua morte. A encenação, filmada, será exibida em instalação na 29.ª Bienal e terá excertos feitos em performances ao vivo, com atores.

"É um verdadeiro aglomerado de gente bacana e Zé Celso entra na Bienal também como um revolucionário", diz Agnaldo Farias, um dos curadores da 29.ª edição do evento de arte. Como se pode esperar, não só Zé Celso, que nesta página está retratado com o New Look de Flávio de Carvalho, vai "vestir" as transgressões da próxima Bienal. Carvalho e sua obra serão um dos motes para se discutir, na mostra, a forte relação entre arte e política, tema do evento. Que venha a Bienal das atitudes. Abaixo as convenções.

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