Zé Celso reestréia "Ham-let" em SP

No dia 1.º de outubro de 1993, JoséCelso Martinez Correa e sua companhia Uzyna Uzona reabriram oTeatro Oficina, fechado há 15 anos, com o espetáculo Ham-let, trazendo novamente para os palcos um estilo muito particularde teatro: ritualizado, polêmico, vital. Dirigido por Zé Celso eprotagonizado por Marcelo Drummond, o espetáculo ficou quase umano em temporada, entre Rio e São Paulo, e arrebanhou diversaspremiações, entre elas o Prêmio Shell de direção e um PrêmioMambembe especial pela reabertura do Teatro Oficina.A partir de amanhã, Ham-let volta ao palcointegrando o projeto Festival Teatro Oficina, patrocinado pela Petrobras, cujo objetivo é reencenar o repertório da companhiaUzyna Uzona para gravação em DVD. O festival começou em fevereiro e, sempre com direção do cineasta Tadeu Jungle, foramgravados Cacilda!, Boca de Ouro e Bacantes.Quando decidiu encenar Ham-let, em 1993, Zé Celsoassumiu o papel do Fantasma (o rei assassinado, pai de Hamlet)."Eu era um fantasma, o fantasma de um teatro que não existia,cujas obras nunca terminavam. Como fantasma, eu passei o bastãopara Marcelo, que devia agir." Em sua concepção a Dinamarca erao Brasil, um país minado pela corrupção e até mesmo oex-presidente Fernando Collor virava personagem em cena. E ZéCelso sonhava com um teatro capaz de revitalizar o Bexiga,artística e arquitetonicamente. "O bairro tem uma vida culturalfantástica, mas não tem uma praça."Mais de oito anos após a reabertura do Oficina, Zé Celsoainda não conseguiu realizar o seu sonho de abrir uma porta nosfundos da pista do teatro, unindo seu palco, em forma depassarela, a uma praça. Daí que sua nova versão de Ham-letcomeça com uma tomada de helicóptero, captada pelos monitores devídeo do Oficina, do bairro "Bexiga-Dinamarca". Nos telões emonitores, o público verá o "Oficina-Elsynor", sofrendo ocerco de um "Fortimbraz que quer bombardear a região com umparaíso do sonho americano de Orlando & Miami"."Ham-let é uma peça que permite milhares de analogiase deve ser montada com o espírito do tempo. Não posso ignorar osembates da realidade." Entre os embates "encenados" noOficina, estão a luta entre o espigão e a casa, o shopping e apraça, a arquitetura para o cidadão ou a arquitetura restrita aoconsumidor. Mas Zé Celso prefere a convivência ao extermínio."O conflito de Hamlet vem de sua tentativa para fugir à máquinada vingança. Não é a incapacidade de agir que o faz hesitar, masa tentativa de mudar o jogo. Ele quer acreditar no poder dainvenção, na capacidade criativa do homem de fugir dessa máquinade vingança", diz Zé Celso. E traça um paralelo com conflitoscomo entre Israel e Palestina e a guerra no Afeganistão,realidade que também estarão "presentificadas" na pista doOficina. "A gente sabe que esse jogo não tem fim, se não forinventada uma saída criativa, essa engrenagem da vingança nãotermina. Depois do Afeganistão, Bush já fala em bombardear oIraque. A vingança não constrói saídas."Ham-Let. De Shakespeare. Direção José Celso MartinezCorrea. Duração: 4h30 (com dois intervalos). Sexta e sábado, às21 horas; domingo, às 18 horas. No dia 25, sessão às 18 horas.R$ 10,00 (sexta) e R$ 20,00. Teatro Oficina. Rua Jaceguai, 520,tel. 3106-2818). Até 25/12.

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