Zé Celso e oficina vão ao encontro das multidões

Dionisíacas chega a SP em formato para até 1.500 pessoas

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Zé Celso Martinez Corrêa fala ao Estado deitado na cama de casa. Não está doente, não. Quer é poupar forças para a estreia das suas Dionisíacas, o festival monumental que abre hoje ao lado do teatro Oficina, no tão cobiçado estacionamento do grupo Silvio Santos. É lá que o grupo construiu um imenso teatro em forma de estádio, com capacidade para receber 1.500 pessoas, e pretende retomar o que Zé Celso invoca como "espírito grego" do teatro.

As montagens chegam a São Paulo depois de uma extensa turnê por sete capitais do País. Em cada uma das cidades, foram apresentadas Taniko, Estrela Brazyleira a Vagar, Cacilda!, O Banquete e Bacantes - peça mais antiga desse repertório e aquela que dá o tom à festa profana do Oficina. "O teatro de pesquisa, abraçou o tema da incomunicabilidade. Tornou-se pessimista. Estamos celebrando aqui a transformação do Brasil, fazendo um teatro para multidões", comenta o encenador.

A proposta de tirar o teatro do que chama de "subterrâneos dos shoppings e trazê-lo para a ágora, para a praça pública" já denota a colorido político que pauta as Dionísiacas. Mas há muito mais nos planos de Zé Celso. Concebido como um grande carnaval, em que o caráter de celebração e a lógica do ritual aparecem em destaque, o evento marca - nem que seja apenas simbolicamente - a vitória na batalha que a companhia teatral trava com Silvio Santos há mais de 30 anos. Após publicar uma carta no Estado, Zé Celso conseguiu um acordo de comodato com o apresentador, que se comprometeu em ceder a área por 30 dias, e agora negocia com o MinC a compra ou desapropriação da área.

Outro alvo das Dionisíacas, avisa o diretor, são os "oficinófabos", denominação que ele cunhou para todos aqueles que ainda hoje torcem o nariz para o seu teatro "livre e orgiástico".

A apreensão, ocorrida na última semana, de sete HDs com gravações das apresentações do grupo é o principal motivo de queixa do diretor, que deveria exibir parte das filmagens durante o evento e teve que substituir trechos às pressas.

O material foi recolhido pela 9.ª Vara de Família do Fórum João Mendes na casa de Elaine Cesar, diretora de vídeo da companhia, que está envolvida em uma disputa judicial pela guarda do filho com o ex-marido. "Sequestraram a nossa memória e tomaram o filho da Elaine acusando o nosso teatro de pornográfico", diz o diretor.

DIONISÍACAS

Teatro de Extádio. Rua Jaceguai, 520, 3104-0678.

Hoje, 20 h; sáb. e dom., 18 h; 2ª, 19 h. Grátis.

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