Zé Celso comemora 40 anos do Teatro Oficina

Cerca de 500 pessoas lotaram oTeatro Oficina na noite de ontem para comemorar com odiretor José Celso Martinez Correa o aniversário de 40 anos doespaço tombado pelo patrimônio. Uma passeata em torno doquarteirão e um ensaio aberto com alguns episódios da adaptaçãode Os Sertões, de Euclides da Cunha integraram a programaçãoda festa que começou às 21 horas e terminou pouco antesdas 2 horas da madrugada.A atriz Etty Fraser e seu marido, o ator Chico Martins -"eles se conheceram, transaram e casaram no Oficina", diz ZéCelso - o ator Renato Borghi e o ensaísta Fernando Peixoto,fundadores do teatro, a atriz Leona Cavalli e a iluminadoraCibele Forjaz, de Cacilda! participaram de um brinde queuniu diversas gerações que passaram pelo Oficina. Faltavam 15minutos para 1 hora quando o Zé Celso/Antônio Conselheiro,vestido em sua bata, conduziu para o centro do palco o SenadorEduardo Suplicy, passando-lhe simbolicamente o cajado do líderda resistente Canudos. Vestido num elegante terno, Suplicyaceitou solenemente a "passagem do bastão", ergueu-o,agradeceu os intensos aplausos do público e voltou para aarquibancada.A festa de aniversário do Oficina estava programada paracomeçar às 20h30 com um abraço verde - o público esticaria umafio verde - em torno do quarteirão onde está localizado oOficina. Em seguida, o público poderia ver - com entrada grátis- ensaio aberto de Os Sertões. Na hora marcada para o inícioda festa, uma fila imensa serpenteava pela rua Jaceguay. Ládentro do Oficina, artistas ensaivam um "ponto frevo", um dasmúsicas do espetáculo As Bacantes, cuja letra havia sidodistribuída ao público junto com o ingresso do ensaio aberto.Borghi, Zé Celso, Etty, Martins e a bailarina René Gumiel deramo sinal - uma vela acesa - para o inicio do ritual decomemoração.Às 21 horas, as portas do Oficina se abriram e o elencoiniciou o "abraço" ao quarteirão, na verdade uma passeata, jáque poucos resistiram a acompanhar a "comissão de frente" ,com Zé Celso e Borghi conduzindo a primeira ponta da fita verdeque circundaria o quarteirão. Aos gritos de "Bixiga verde" ogrupo tomou conta das ruelas que cercam o teatro. Meia-horadepois, chegaram novamente às portas do Oficina, interrompendo otrânsito na Jaceguay por cinco minutos, até todos conseguirementrar no teatro."Aqui a gente começou e aqui fomos muito felizes",afirmou Etty num brinde que envolveu mais de uma dezena deartistas, cada um segurando uma garrafa de vinho. Taçasespalhadas por todo o teatro foram distribuídas também naplatéia. Apenas dez minutos depois, uma atriz passava com umgrande saco de lixo preto recolhendo garrafas e taças,preparando o público para o início do espetáculo.Durante três horas - de 22h30 até 1h30 - o públicoassistiu ao ensaio aberto de alguns episódios de Os Sertões:as três primeiras investidas da tropas sobre Canudos. Nas três,depois de muitas mortes de parte a parte, os soldados recuamderrotados. Efeitos com fogos de artifício, água, tinta e umelenco numeroso foram responsáveis por alguns belos momentos. Aotérmino da terceira batalha, os cadáveres, nus - depois desaqueados pelos seguidores de Conselheiro -, dispostos ao longodo corredor do Oficina, remetem ao massacre de Vigário Geral, noRio.Zé Celso assistiu a quase todo o espetáculo sentadopróximo ao centro do palco. Até entrar em cena como AntônioConselheiro, produzindo um forte efeito na platéia que lotava osquatro lances de arquibancadas, espalhava-se pelo chão, pelasbordas dos "canteiros" e ocupava até mesmo a passarelasuspensa sobre o jardim do teatro. Caminhando vagarosamente pelocorredor, Zé Celso conseguiu a proeza de prender o público numsilêncio absoluto durante um minuto - tempo bastante longo numpalco. E seguiu prendendo a atenção na longa e bela narrativa,retirada do livro de Euclides da Cunha que descreve o perfil dofanático Conselheiro.A terceira batalha - não a derradeira - terminou poucoantes das duas horas da madrugada de hoje. Ao fim, Zé ainda fezum longo discurso - "sei que estou dando uma de Fidel Castro"- relembrando a história do Oficina. E chamou a atenção para ofato daquele ensaio ter sido preparado pelo ator MarceloDrummond, uma vez que ele passou os dois últimos meses no Rioensaiando Esperando Godot.

Agencia Estado,

17 de agosto de 2001 | 15h59

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