Zappamaníacos saúdam longevidade da provocação

Frank Zappa (1940-1993) era o artista que buscava a música por meio do atrito. O espectro de seu trabalho era o mais amplo possível: jazz rock, funk, erudita, concreta, rock progressivo, reggae. Nada, no entanto, tinha cheiro de redundância, de facilidade.

, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2010 | 00h00

Dezessete anos após sua morte, remanescentes de seu grupo original (batizado de Mothers of Invention porque ele não conseguiu que aceitassem Motherfuckers) chegam ao Brasil com a banda GrandMothers Re-Invented, que tocou no palco da Avenida São João na noite de sábado. Um dia antes, tinha tocado no clube Inferno, na Rua Augusta, só para zappamaníacos.

Liderada pelo saxofonista, cantor e flautista Napoleon Brock, ex-parceiro de Zappa, a banda deu a largada para o rock com Pound for a Brown. Francamente funky, insuflada por brincadeiras vocais, vocalises e chistes onomatopaicos nos instrumentos, o show é puro Zappa. GrandMothers tocou 15 músicas ao todo. A primeira fila do show era feita de zappamaníacos de todos os quadrantes, que gritavam "Salve Frank Zappa" a cada música e mostravam conhecer cada dissonância da música. Eles aprovaram efusivamente o guitarrista da banda, Miroslav Tadic.

"A música de Frank Zappa agrada a todo tipo de apreciador da música porque ela contém tudo: rock, funk, blues, reggae. E a gente já planeja até incluir algum samba", disse Brock após o show. O set list incluiu Florentine Pogen, All Your Children, Chunga, Ugliest, Son of Orange County, Little House, entre outras.

Às 21h45, começou o show do Big Brother & The Holding Company, que acompanhou Janis Joplin em São Francisco. A cantora Sophia Ramos, grávida, iniciou com Down on Me. O grupo era esforçado, mas nem quando tocou com Janis era fundamental. O tom era de banda cover, ao contrário dos GrandMothers. / J.M.

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