"Yu-Gi-Oh!" sob suspeita de provocar suicídios

O governo chileno está convencido de que os suicídios de Patricio Mieres, de 11 anos, e Camilo Latrach, de 9, ocorridos em circunstâncias semelhantes num intervalo de 17 dias na província de Valparaíso, não têm relação com o desenho japonêsYu-Gi-Oh!, exibido naquele país pelos canais Mega e Nickelodeon. As duas crianças foram encontradas enforcadas e parentes e colegas de colégio disseram que elas tentaram imitar o desenho e o jogo de cartas dele derivado, em que personagens provocariam a própria morte para renascer com mais poderes.Para o psiquiatra Carlos Graf e a psicóloga infantil Olga Román, encarregados pelo Serviço de Saúde chileno de investigar os casos, ?não há indício? de que o enredo da animação nipônica tenha induzido os garotos. ?O jogo de cartas realmente fala em destruição e captação de poderes, mas são atributos dos personagens e não se dirigem às crianças que jogam?, afirmou Daniel Verdessi, diretor do Serviço de Saúde de Valparaíso-San Antonio.Há três semanas, a deputada Laura Soto pediu à Secretaria Geral de Governo que proibisse a veiculação do desenho no país. Patricio morreu asfixiado no banheiro em 23 de setembro. Na véspera, segundo seu pai, teria ficado exultante ao conseguir a ?carta do enforcado?. As famílias afirmam que os meninos pensavam no desenho o dia inteiro, mas vários profissionais de saúde do país dizem que, entre os 9 e os 12 anos, as crianças já têm plena consciência da ficção e que suicídios não são raros nessas idades. Fãs do desenho no país ficaram revoltados com a vinculação dos óbitos a Yu-Gi-Oh!.Alfonso Correa, psiquiatra infantil do Hospital Clínico da Universidade do Chile, disse ao Estado que ?até seria possível um jogo ou desenho tornar-se o estopim para um suicídio na faixa etária em questão, mas não sem condições pré-existentes. Ele citou a violência familiar, convivência com alcoólatras e depressão como fatores decisivos. O canal Nickelodeon, que exibe Yu-Gi-Oh! no Brasil, disse que a produtora 4 Kids Enterteinment ?negou a existência de qualquer personagem com as características atribuídas?. A TV Globo informou ter tirado o desenho do ar por conta de um rodízio de atrações na sua programação.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2003 | 12h14

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