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Ythaca: uma viagem sem volta, e muito inspiradora

Quatro amigos diretores, quatro personagens, um mito como pano de fundo e um luto por fazer no presente. Estrada Para Ythaca é dirigido e interpretado por Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Guto Parente e Pedro Diógenes. Luiz e Ricardo são irmãos gêmeos; Guto e Pedro, primos. Um filme de família, história criada à medida que se faz, com imagens captadas por uma pequena câmera digital. Cinema, mas também celebração de amizade.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

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Esse, aliás, é o estímulo propulsor da história. Os personagens são amigos que se reúnem em um bar. Bebem e falam. Resolvem pegar um carro e partir para Ythaca. Para fazer o quê? Talvez buscar uma imagem, algo perdido, um amigo que se foi.

Esse filme de estrada - literalmente e no título - se faz à medida que as imagens progridem, assim como um romance se escreve palavra após palavra. Há um sentido poético que os guia e estrutura a obra. Por exemplo, não é casual a citação de Vento do Leste, filme de Jean-Luc Godard da sua fase no Grupo Dziga Vertov e no qual aparece Glauber Rocha como ator. Há uma encruzilhada e dois caminhos possíveis. Um, pela direita, que leva ao cinema da aventura; o outro, pela esquerda, que conduz ao cinema do terceiro mundo, "perigoso, divino e maravilhoso", segundo a música de Caetano Veloso cantada por Gal Costa. Metaforicamente, foi a via adotada por seu cinema, naquela época em que direita e esquerda faziam todo o sentido, um tempo enfeitiçado pela palavra revolução. A essas referências cinematográficas, soma-se aquela ao escritor grego Konstantinos Kavafis e sua Ythaca mítica. A Odisseia é o arquétipo da viagem. Quando Ulisses volta à sua Ítaca, não a encontra da mesma forma. Tudo flui e altera-se. Tudo é devir.

Esse filme é também uma viagem sem volta. De jovens que descobrem o luto e, portanto, fazem uma passagem forçada e prematura para o outro lado, o da consciência da finitude humana e da morte. Mas é também a iniciação nesse outro ritual, o cinematográfico, com uma obra de estreia forte, barata e cheia de poesia. Ritos de passagem. Que o caminho seja longo e continue inspirador.

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