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'Ythaca' ação entre amigos

Filme acompanha quatro atores/diretores que caem na estrada em busca de um sentido para suas vidas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Com a distribuidora Vitrine nasce também a Sessão Vitrine, que vai ocorrer, inicialmente, em sete cidades. Em cada uma delas, um cinema estará exibindo um dos filmes da nova distribuidora de Silvia Cruz. Pode ser mera coincidência, mas Estrada para Ythaca, com sua cara de filme manifesto, vem a calhar para essa nova luta por espaço para o cinema brasileiro.

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A Vitrine é um sonho de gente jovem que começa a dar certo. E há o filme, claro. Luiz e Ricardo Pretti foram morar em Fortaleza em 2006. Quando chegaram, estava sendo formada a primeira turma da Escola de Audiovisual de lá. Os irmãos Pretti encontraram os primos Guto Parente e Pedro Diógenes. Descobriram que quatro cabeças pensavam melhor que uma e três anos mais tarde, saíram para filmar Estrada para Ythaca.

Luiz vale-se da música para explicar o processo. "Acho que é como uma banda de jazz em que os músicos são livres para exercer sua criatividade. O resultado tem uma unidade, mas percebemos as individualidades." Ythaca é sobre quatro amigos - os diretores - que caem na estrada em homenagem a um parceiro que morreu. Eles bebem todas. A coincidência faz que Ythaca estreie com Se Beber, Não Case! 2. Como os personagens bebem e eles estavam filmando com amigos, os atores/diretores foram fundo no combustível etílico. A primeira noite de filmagem terminou num porre monumental. A partir daí, passaram a maneirar, até porque dirigiam o carro, carregavam o equipamento e tinham de sobreviver para contar a história.

Ythaca inaugura o road movie panelada - uma comida típica do Ceará, feita com vísceras de boi. O roteiro segue a trilha das paneladas pelo interior do Estado. Glauber Rocha é uma referência forte, avalia Guto. "Muitos cineastas começaram a fazer cinema por causa dele. No Ythaca fazemos uma releitura de uma cena de Vento do Leste, do Godard, em que Glauber, numa encruzilhada, aponta o caminho do cinema de aventuras, do cinema do desconhecido e do cinema de Terceiro Mundo. Nossos personagens se deparam com essa encruzilhada. Não há um caminho certo e um errado. Tampouco escolher um caminho é negar o outro. Mas é preciso escolher."

Para o segundo semestre, a Vitrine promete Além da Estrada, de Charly Braun; O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges; A Fuga da Mulher Gorila e Desassossego, de Felipe Bragança e Marina Meliande. E você, vai deixar de viajar no imprevisível, no divino e no maravilhoso do road movie panelada?

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