Yoko Ono cai no samba no Teatro Municipal de SP

Público cheio de VIPs vibrava com a performance da viúva de Lennon, que gritava enquanto a cuíca chorava

Jotabê Medeiros,

09 de novembro de 2007 | 12h12

E Yoko caiu no samba. Acompanhada pelo grupo de Oswaldinho da Cuíca , ela terminou sua apresentação musical na quinta-feira, 8, à noite, no Teatro Municipal de São Paulo, com um rebolado desengonçado, e ao final, jogou sua estola de plumas para a platéia e voltou para três reverências ao público. Só no sapatinho - Yoko gritava e a cuíca chorava. Yoko Ono fez um show para uma platéia coalhada de VIPs: estavam lá, entre outros, Tomie Ohtake, Adriana Calcanhoto e Supla. No lado direito do palco, uma foto de Yoko criança é projetada, com roupinha de marinheiro. A performance de Yoko evoca, a todo momento, um fantasma onipresente: John Lennon. Ela começou a apresentação despindo-se de roupa e chapéu e ficando apenas com uma malha de dança. Depois, ela passou por dentro de um espelho quebrado. O público aplaudiu o aquecimento da performer.  Então ela ressurgiu de capuz, como aqueles presos iraquianos de Abu Ghraib. No telão, ato contínuo, vai se materializando uma foto dela com John e o filho deles, Sean Lennon. A foto vai se dissolvendo até virar um detalhe da mata do Central Park, região onde viveram. No esquete Woman, uma imagem de uma mulher no telão (aparentemente, a própria Yoko) ameaça tirar o sutiã. Uma senhora na platéia implora: "Por favor, ela não vai soltar aquilo?". Já para a performance Onochord, foram distribuídos previamente na entrada do Teatro lanterninhas pequenas com as instruções: para dizer I Love You, apertar uma, em seguida duas e em seguida três vezes. Mas todo mundo já estava apertando as lanterninhas muito antes do show começar. "Quero lembrar de mim", diz Yoko. Um cemitério aparece no telão, e ela se arrasta como uma mulher enlutada, coberta com um véu branco, pelo chão do palco do Municipal. Parece que não ensaiou as performances, vai improvisando e os músicos entram quando ela se dirige a eles, como uma maestrina. De novo Lennon: no telão, surgem agora um par de óculos e um copo d’água. "Eu quero lembrar", ela diz. As palavras-chave de seus manifestos são as de sempre: Ouça seu Coração! Tenha coragem, tenha graça! Eles me roubaram! Finalmente, deitada num colchonete no chão, ela se virou para o grupo de Oswaldinho da Cuíca (que reúne ainda dois filhos do instrumentista brasileiro) e despediu-se: "Obrigado, garotos! Foi muito bom".

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