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Yann Martel lança romance 'Beatriz & Virgílio'

Novo livro reconstrói, de forma alegórica, os horrores do nazismo

AE, Agência Estado

15 de março de 2011 | 10h16

Foram dez anos desde a última incursão na literatura, com A Vida de Pi, vencedor do Man Booker Prize em 2002 e integrante de algumas listas de romances mais importantes da década segundo a crítica de países de língua inglesa. Ao marcar enfim seu retorno com Beatriz & Virgílio, o canadense Yann Martel não perdeu a chance de fazer graça. Seu novo protagonista, Henry, é um escritor que passa por um bloqueio criativo após ter uma ideia de livro rejeitada por editores.

Questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre a demora no lançamento de seu próprio romance, Martel, no entanto, credita a longa pausa a outro motivo: a dificuldade do tema, uma tentativa de reconstruir, de forma alegórica, o horror dos campos de concentração nazistas durante a 2ª Guerra.

"O sucesso de A Vida de Pi me manteve ocupado por uns dois anos. E você não pode escrever sobre o Holocausto sem saber o que está falando. Li muito, vi filmes, documentários, viajei para Polônia e Israel, escrevi e reescrevi muita coisa. Não é fácil tomar um evento monstruoso como esse e tentar descrevê-lo de forma diferente", argumenta.

A tal forma diferente é justamente a proposta com a qual Henry, seu personagem, não consegue convencer editores - um misto de um romance protagonizado por animais e textos ensaísticos sobre o genocídio, no qual um e outros se confundem. Na trama, durante o bloqueio criativo (período no qual arruma um emprego como garçom), Henry conhece um taxidermista que, no intervalo entre o seu trabalho de empalhar animais, encontra tempo para escrever (o que, na verdade, já faz há algumas décadas) uma peça protagonizada por uma mula, Beatriz, e um macaco, Virgílio. Quando se dá conta, o escritor está imerso na história com a qual não queria se envolver. E que passa a tomar proporções inesperadas.

"Existem muitos relatos factuais do que aconteceu com os judeus da Europa nas mãos dos nazistas e seus muitos colaboradores voluntários", afirma o escritor, destacando os testemunhos de Elie Wiesel e Primo Levi como essenciais, "mas não podemos simplesmente parar nisso, a contar com base em fatos. Minha hipótese artística é a de que só podemos compreender verdadeiramente um evento quando podemos aplicar metáforas a ele." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Beatriz & Virgílio. Autor: Yann Martel. Tradução: Maria Helena Rouanet. Editora: Nova Fronteira (200 páginas, R$ 34,90).

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