Xangô da Mangueira morre aos 85 anos no Rio de Janeiro

Baluarte da Verde-e-rosa sofria de mal de Parkinson e tinha infecção renal crônica, agravada pelo diabetes

Clarissa Thomé, Agencia Estado

07 de janeiro de 2009 | 23h36

O compositor Olivério Ferreira, o Xangô da Mangueira, morreu na noite dessa quarta-feira, aos 85 anos, no Hospital de Irajá, na zona norte da cidade. Ele tinha infecção renal crônica, agravada pelo diabetes e também sofria de mal de Parkinson. Durante o período de internação, Xangô manteve-se lúcido. Com a piora do quadro, foi transferido para o Centro de Tratamento Intensivo, onde morreu. Baluarte da Mangueira, Xangô completaria 86 anos no próximo dia 19. Nasceu no Rio Comprido e passou a infância em Paracambi, na Baixada Fluminense. Começou a despontar como sambista na Portela, onde foi discípulo de um dos fundadores da escola, Paulo da Portela. Nos anos 40, Xangô foi para a Mangueira, onde atuou como puxador oficial dos sambas-enredo, diretor de harmonia e integrante da ala dos compositores. Xangô deixa cerca de 150 composições. Consagrou-se como o "rei do partido-alto", título que acabou por batizar seu primeiro disco. Gravou vários LPs, mas apenas dois CDs. O primeiro foi Recordações de um Batuqueiro, de 2005. O segundo, lançado um ano depois, foi um livro-CD, patrocinado pelo Instituto de Resseguros do Brasil e Eletrobrás. Apesar de ser conhecido pelo nome do Orixá e de ter frequentado terreiros de candomblé, o mestre do partido-alto havia se convertido nos últimos anos ao budismo, levado pela mulher, Sônia, com que estava casado havia 23 anos. O corpo de Xangô será velado na Capela C do Cemitério do Caju, a partir das 8 horas. O enterro está previsto para as 16 horas.

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