Woody Allen no divã, com 800 testemunhas

A última sessão de análise de Woody Allen não vai estar em nenhum de seus filmes, mas bem que poderia. O diretor participou na noite de quinta-feira de um debate com uma psiquiatra de Nova York para esclarecer o quanto de suas sessões verdadeiras de psicanálise está nas muitas cenas de terapia que ele filma. E ele revelou: quase nada. Cerca de 800 pessoas ouviram Allen dizer que seus filmes têm muito mais de ficção do que fazem parecer. Sobre as seqüências de sonho, ele disse que embora elas ?tenham profundas significações, eu inventei tudo?. Woody Allen afirmou categoricamente que seus ?grilos? não se devem a traumas de infância. Mas como, mais uma vez, sua personalidade era o tema da conversa, Allen resolveu explicar-se um pouco. ?Minha mãe sempre disse que nos primeiros quatro anos de vida fui uma criança adorável. Aí mudei. Mas não existiram circunstâncias dramáticas nesse período. É um mistério. Atribuo essa mudança a uma imprevista tomada de consciência sobre a morte, algo de que nunca me recuperei?, disse. Quando pediram que ele refletisse sobre sua trajetória artística, Woody Allen confessou que não é contente com sua carreira. ?Tinha planos grandiosos no início, estava convencido de que chegaria muito mais alto no firmamento artístico?. E, bem a seu estilo, completou: ?A única coisa que se interpôs entre a grandeza e eu foi minha própria pessoa?.

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