Woody Allen faz rir e Sirk para chorar

Tudo o Que o Céu Permite

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2013 | 02h14

22 H NA CULTURA

(All That Heaven Allows). EUA, 1955. Direção de Douglas Sirk, com Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead, Conrad Nagel, Gloria Talbot, William Reynolds, Charles Drake.

O Clube do Filme resgata o melodrama de Douglas Sirk que serviu de ponto de partida para O Medo Corrói a Alma, de Rainer Werner Fassbinder, e Longe do Paraíso, de Todd Haynes. Logo na cena inicial, a viúva Jane Wyman ganha do filho de presente uma TV. A mídia engatinhava nos anos 1950 e ele estava lhe passando um recado - que ela se acomodasse em casa. Mas Jane contrata um jardineiro jovem. Entra em cena Rock Hudson e a dupla apaixona-se, para escândalo da sociedade. Foi o segundo dos grandes melôs de Sirk com o astro Hudson, após Magnífica Obsessão, de 1954. Ainda viriam Palavras ao Vento e Almas Maculadas, também com Hudson, e o melhor de todos, Imitação da Vida, com John Gavin. Reprise, colorido, 88 min.

A Luz da Cidade

23 H NA REDE BRASIL

(The Christmas Cottage). EUA, 2008. Direção de Michael Campus, com

Jared Padalecki, Marcia Gay Harden, Peter O'Toole.

A Globo exibe este filme meio fora de época, porque na verdade se trata de uma celebração natalina - e num viés bem interessante, senão exatamente original. Jovem artista aceita encomenda para ajudar a mãe, que pode estar perdendo sua propriedade. Elwe é contratado para pintar painel pela prefeitura. Seu mentor - o personagem é interpretado por Peter O'Toole, que traz seu carisma para o papel - o induz a pintar uma cena de Natal. Inédito, colorido, 103 min.

TV Paga

O Viajante

19 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 1999. Direção de Paulo César Saraceni, com Marília Pêra, Jairo Matos, Ricardo Graça Mello, Nelson Dantas, Leandra Leal, Paulo César Pereio.

Marília Pêra pode ser uma grande atriz, mas precisa ser dirigida com mão de ferro. Entregue a si mesma, costuma incorrer nos piores excessos, como nesta adaptação do romance do mineiro (de Curvelo) Lúcio Cardoso, ao qual o diretor Saraceni superpôs a visão de outro grande autor, Otávio de Faria, sobre o livro. Caixeiro-viajante chega a pequena cidade do interior de Minas e desperta o desejo de viúva que tem filho deficiente. Havia elementos da literatura de Lúcio Cardoso em Porto das Caixas e Saraceni assinou outro filme baseado no escritor, A Casa Assassinada (adaptado de Crônica da Casa Assassinada). Nenhum é perfeito, mas possuem qualidades que aqui se perdem. É um problema de tom. Mesmo assim, o filme tem defensores, e até Marília é considerada 'trágica'. Reprise, colorido, 107 min.

Céu Amarelo

20H10 NO TELECINE CULT

(Yellow Sky). EUA, 1948. Direção de William A. Wellman, com Gregory Peck, Anne Baxter, Richard Widmark, John Russell.

Gangue de fugitivos chega a cidade fantasma e entra em choque com velho que ali vive com a neta. Wellman foi aviador, integrando a célebre esquadrilha Lafayette na 1ª Grande Guerra. Convertido em diretor, fez filmes de prestígio, como Asas, que venceu o primeiro Oscar. Os westerns somam uma parcela significativa de sua obra. O mais famoso é Consciências Mortas, que trata de um tema forte, o linchamento. Mas Céu Amarelo costuma ser apreciado pelo clima estranho e pelo rigor da fotografia. Reprise, preto e branco, 98 min.

Através de Um Espelho

22 H NO TELECINE CULT

(Sasom i en Spiegel). Suécia, 1961. Direção de Ingmar Bergman, com

Harriet Andersson, Gunnar Bjornstrandt, Max Von Sydow.

O segundo Oscar de Bergman (após A Fonte da Donzela) e o início de sua trilogia do silêncio, que prosseguiu com Luz de Inverno e O Silêncio (muito justamente). Numa casa isolada - os personagens de Bergman vivem quase sempre no isolamento -, um pai frio e distante, sua filha que está perdendo o vínculo com a realidade e o genro, que cobra do sogro maior envolvimento e participação emocionais. Se a história é tênue, as relações são intensas e os temas fornecem uma súmula de todo Bergman - tormentos do sexo, silêncio de Deus, etc. Reprise, preto e branco, 90 min.

Tudo o Que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar

22 H NO TCM

(Everything You Always Wanted To Know About Sex But Were Afraid To Ask). EUA, 1972. Direção e interpretação de Woody Allen, com John Carradine, Lou Jacobi, Louise Lasser, Tony Randall, Lynn Redgrave, Burt Reynolds, Gene Wilder.

Comédia do começo da carreira de Woody Allen, anterior ao Oscar, que ele recebeu por Annie Hall/Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de 1977. São diversos esquetes que giram em torno do sexo - o homem que troca a mulher por uma ovelha, o que se traveste e uma divertida encenação sobre a forma como funciona a ereção. Dá para rir bastante, mas o filme ainda não tem a riqueza e complexidade do Woody Allen da fase com Mia Farrow. Vale destacar que a Nova Fronteira lançou no País, no ano passado, o livro de Éric Vartzbed, Como Woody Allen Pode Mudar Sua Vida, uma divertida e inteligente coletânea de ensaios. Reprise, colorido, 87 min.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.