Woody Allen desembarca em Roma em novo filme

Como turista - nada acidental -, Woody Allen prossegue com sua volta ao mundo e, após Londres, Barcelona e Paris, desembarca em Roma, à espera do Rio e de Tóquio. "Para Roma com Amor" está mais para "Vicky Cristina Barcelona" do que para "Match Point" e "Meia-Noite em Paris" e os admiradores do segundo com certeza vão se decepcionar com a nova comédia do grande diretor, mas há que relativizar a decepção. "Para Roma com Amor" tem o efeito de uma bomba retardada e uma ou duas semanas depois de ver o filme você se surpreenderá com piadas que nem pareceram tão divertidas na hora.

AE, Agência Estado

28 de junho de 2012 | 10h47

Se há uma coisa de que Woody Allen não tem medo é de cartão-postal. Ele começava "Meia-Noite em Paris" com as imagens mais batidas da capital francesa - Torre Eiffel, Arco do Triunfo, bateaux mouches no Sena. "Para Roma com Amor", abre-se no carrossel da Piazza del Poppolo, onde o guarda de trânsito interrompe sua função para falar diretamente com o espectador - e, ao fazer isso, provoca um acidente. Você era capaz de jurar que isso poderia ocorrer. Allen deve ter se perguntado - por que evitar o clichê? Ele prossegue com outros. A trilha é recheada de standards que você ouve em qualquer pizzaria da 13 de Maio e, sim, há um cantor de ópera, daqueles que são bons somente no chuveiro.

O próprio Allen faz um dos protagonistas, o pai da garota, também turista, que iniciou romance com um ragazzo de Roma. Allen, no filme, é casado com Judy Davis, umas de suas atrizes preferidas. E é diretor de vanguarda, atraído por ópera. O pai do namorado canta no chuveiro, vocês podem imaginar o que vai resultar daí. Como um só Woody Allen não bastava, o ator, diretor e roteirista multiplica-se. Projeta-se num italiano, pois, afinal, é Roma, e ele só poderia ser Roberto Benigni, e também num garoto norte-americano interpretado por Jesse Eisenberg, que consegue falar mais rápido e gesticular de forma mais atrapalhada do que o artista de quem vira alter ego.

No novo filme, Allen segue falando do que lhe interessa - relacionamentos, neuroses. E, se há uma coisa que ele não se furta é fazer comentários sobre o estado do cinema atual. Um de seus alter egos fílmicos vai ao cinema e o filme dentro do filme é "La Solitutide dei Numeri Primi", obra cabeça que o personagem, falando como Woody Allen, diz que é melhor que "O Discurso do Rei" (que ganhou o Oscar). Eisenberg faz um estudante que vive em Roma com a namorada. Encontra Alec Baldwin, que, curiosamente, quando jovem, morou na mesma rua e, talvez, na mesma casa. Baldwin comenta a vida de Jesse para o espectador.

A namorada e ele acolhem uma amiga dela - entra em cena a atriz de "Juno", Ellen Page. Baldwin vaticina que Eisenberg vai se apaixonar, e não vai dar outra. O método de sedução de "Juno" baseia-se na terapia de choque, estilo analista de Bagé. Para posar como liberta de grilhões sexuais, ela conta como fez sexo com a amiga - Eisenberg deleita-se com o relato de iniciação lésbica, mas desperta brutalmente quando Ellen quer saber se ele nunca quis fazer sexo com o melhor amigo. Enfim, é Woody Allen. Ele já fez filmes melhores, e "Meia-Noite em Paris", na série das ''metrópoles'', é the best. "Roma" é um filme médio, mas um filme médio de Woody Allen tem sempre muito a oferecer. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PARA ROMA COM AMOR

Título original: To Rome with Love. Gênero: Comédia (EUA/Esp/It., 107 min.). Classificação: 12 anos.

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