Wonderful Tonight

Vimos em Londres o show que Eric Clapton trará ao Brasil; fãs, é bom entrarem na fila

Beatriz Prates, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

Ele já recebeu o título de Deus da guitarra e o confirmou mais uma vez no palco de uma das melhores casas de show de Londres, o Royal Albert Hall. Aos 66 anos, 49 de estrada, Eric Clapton envolveu as 5 mil pessoas que o viram no último domingo.

Sua chegada foi discreta, de jeans, camisa e mocassim. Disse apenas um "boa noite" ao público e abriu com o blues Key to the Highway. A plateia, na maioria formada por cinquentões, já passou a delirar com os solos. Nesta turnê, que traz a São Paulo em outubro, ele divide trabalhos com dois brilhantes tecladistas: o inglês Chris Staiton e o americano Tim Carmon. Completam a banda o baixista Willie Weeks, o baterista Steve Gadd e as backing vocals Michelle John e Sharon White.

Michelle e Sharon têm uma ótima performance em Telling the Truth, a segunda do show, e Tim Carmon faz um solo fantástico no clássico Hoochie Coochie Man. Mas é em Old Love que Clapton aciona os dedos para criar suas atmosferas mais delirantes. Depois de uma introdução solo, divide momentos de virtuosismo com os tecladistas. Foi ali também que pareceu mais à vontade nos improvisos.

Quando chega Driftin o show muda, fica mais intimista e acústico. Clapton troca sua Fender Stratocaster azul por um violão e, sentado, enfileira sete canções. Na versão de Driftin foram somente violão, baixo e bateria. O restante da banda volta na balada Nobody Knows You When You"re Down And Up, acompanhada com palmas pelo público do Royal Albert Hall desde os primeiros acordes.

Numa inédita homenagem a Gary Moore, guitarrista de blues irlandês que morreu no início do ano, Clapton conduz Still Got the Blues com dor e suspiros. Ainda toca Same Old Blues, de JJ Cale, e chega à balada When Someone Thinks You Are Wonderful, única música do novo disco apresentada no show, que teve grande participação de Staiton e Carmon. Clapton, seu mais recente CD, é o 19.º álbum solo do guitarrista e foi lançado no ano passado. É um trabalho diferenciado em que o próprio Eric Clapton disse ter ficado surpreso com o resultado. "Este álbum não é o que estava planejado para ser. É uma coleção eclética de canções, que não estavam no mapa e eu gosto bastante disso."

Layla chegou de mansinho numa versão acústica quase sem batidas, suave, com belos arranjos, comprovando a habilidade de Clapton em reinventar mesmo o já reinventado. Layla foi composta há mais de 40 anos e fala sobre a paixão do guitarrista pela então mulher do beatle George Harrison, Patti Boyd. Clapton foi casado com Patti por quase dez anos.

A guitarra volta ao palco em Badge. Clapton brinca com a Fender em solos que arrancam mais aplausos. Em Wonderful Tonight confirma o apelido de "slowhand". E o melhor blues vem com Before You Accuse Me.

A já batida Cocaine faz a até então comportada plateia se levantar. É depois dela que os músicos deixam o palco. Com o teatro em peso aplaudindo, o guitarrista retorna depois de alguns minutos para o bis e finaliza com Crossroads, mais uma dos tempos lisérgicos do Cream, nos anos 70.

Em quase duas horas e 17 músicas, Eric Clapton impressiona com uma disposição e habilidade amparadas por uma grande banda. Ele encerra a temporada em Londres no dia 1.º de junho. Quando voltar a tocar, em outubro, será a vez do Brasil, em shows previstos para Porto Alegre, Rio e São Paulo.

O Royal Albert Hall é o mais tradicional teatro de Londres. Construído no século 18, se tornou a "casa" de Clapton em 2009, quando completou a marca de 150 shows feitos ali e a gravação de quatro álbuns: 24 Nights, Cream Farewell, Cream Reunion e Concert for George, um tributo a George Harrison.

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