Wollner, mestre do design, escreve sua memória

Se fosse apenas uma obra narrativa sobre a história de um dos mais importantes designers gráficos do País, o livro Alexandre Wollner - Design Visual 50 Anos já teria conquistado seu lugar entre os clássicos sobre o design gráfico - gênero de criação tão maltratado no País. Wollner é autor de propostas visuais relacionadas a marcas de sucesso, como o dos elevadores Atlas, do Itaú, da Metal Leve, do MAM (RJ) e do MAC (SP).Seu livro, que chegou recentemente às livrarias (Cosac & Naify, 336 págs., R$ 139), é um exemplo prático do que ele tem procurado construir e alia um impressionante cuidado técnico a uma estética primorosa. "Este livro, misto de história do design no Brasil e livro didático, é testemunho e objeto concreto dessa minha atividade", resume Wollner. Esse discurso autobiográfico, que tem início com o nascimento do autor em 1928, passa por sua formação, seus relacionamentos de admiração e companheirismo com figuras centrais da arte brasileira (Bardi e Geraldo de Barros) ou internacional (Max Bill, que acaba aceitando-o como aluno da recém-criada escola de Ulm). Década a década - pelo menos até os anos 70, quando a lógica cronológica é superposta pela análise dos trabalhos desenvolvidos por ele -, vai-se entrecruzando a história pessoal e o contexto nacional mais amplo. Em parte porque, como lembra Décio Pignatari na introdução da obra, a trajetória dos dois - a de Wollner e a do design gráfico brasileiro - se confunde ao longo desse período.

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