Suzanne Plunkett/Reuters
Suzanne Plunkett/Reuters

William Shatner, aos 90 anos, segue buscando a próxima fronteira pessoal

Marcado por seu papel como Capitão James T. Kirk em 'Star Trek', ator assume novos projetos

Michael Cavna, The Washington Post

23 de agosto de 2021 | 10h00

Um dos homens mais trabalhadores de Hollywood não se deixou atrasar pela pandemia. Ele tem dois programas de televisão em andamento. Lançou um filme há vários meses atrás e lançará um álbum no mês que vem. Ultimamente, tem viajado por terra com seus cavalos e nadado no mar com tubarões – e ainda lança um olhar esperançoso ao espaço. Mas não antes de gravar uma versão de inteligência artificial de si mesmo para as futuras gerações.

Mencionamos que ele também relaxou um tempo em março para comemorar seus 90 anos?

Quando você ouve William Shatner todo efusivo falando por telefone de seu escritório em Los Angeles – seu ritmo robusto e fluente parando só para sua característica pausa dramática – você começa a se perguntar se há algum lugar ao qual ele não iria corajosamente.

Shatner até abraçou seu recente retorno ao circuito de convenções para fãs. Na última sexta, 20, ele foi um convidado de destaque na Awesome Con de Washington, falando sobre suas sete décadas de carreira no show business, incluindo seu icônico papel como Capitão James (pausa) T. (pausa) Kirk em Star Trek nas telas grandes e pequenas, começando com a série original nos anos 1960. Ele também estará disponível no sábado para mais sessões de fotos e autógrafos. (Seu colega de elenco de Star Trek, George Takei, também deve aparecer na Awesome Con.).

Shatner assume novos projetos como uma incansável força da natureza, embora diga que as paralisações do coronavírus o levaram a parar e apreciar especialmente os detalhes “preciosos” da vida: “A pandemia desacelerou todo mundo e você começa a se concentrar nas coisas importantes”. Para ele, isso significou montar alguns dos cavalos que possui, sem pressa nem preocupação.

Mas o ator nascido em Montreal precisa de novas aventuras. Então ele viajou para as Bahamas para apresentar o especial do Discovery Expedition Unknown: Shark Trek, que foi ao ar no mês passado. “Fui mordido pela vontade de ir”, diz ele, rindo e tentando não rir da própria resposta. “Fui convidado para nadar com os tubarões e foi uma oportunidade transformadora: eu estava lá com tubarões-tigre de seis metros, e ainda puseram tubarões menores no meu colo para eu acariciar”.

O homem que também atuou por várias décadas como capitão da nave estelar Enterprise diz que acolheria o espaço como sua próxima fronteira. Ele diz que um “amigo muito corajoso e empreendedor” certa vez indagou se Shatner poderia embarcar num voo civil: “Acho que eu iria adorar. Adoro a ideia de poder olhar para a orbe azul”.

Assim como Kirk, Shatner é um homem da ciência que há muito se preocupa com o impacto da humanidade sobre a orbe azul. Star Trek: The Original Series se passa no século 23. A humanidade estará por perto para ver isso?

“Acho que isso faz parte do charme e da razão para a duradoura popularidade de Star Trek. Ela sugere que estaremos lá”, diz Shatner, que cita a leitura de Primavera silenciosa de Rachel Carson, mais de meio século atrás, como algo que lhe abriu os olhos. “Eu li e comecei a falar sobre o aquecimento do planeta. Mas ninguém levou a sério”.

Ele aprendeu alguma coisa sobre a humanidade que não sabia antes da pandemia e das manchetes atuais sobre as mudanças climáticas? “Não. Não. A humanidade é tão complexa que existe uma dicotomia entre o bom e o positivo e o mau e o negativo. A maioria das pessoas fica no meio. ‘O que devo fazer? O que devo fazer?’ é a sensação comum”.

Então, o que Gene Roddenberry, o falecido criador de Star Trek, pensaria sobre o atual estado do mundo? “Algumas dessas coisas ele não colocaria num roteiro, porque são muito estranhas”.

Shatner diz que escolhe projetos que despertem sua curiosidade sobre como o mundo funciona. Ele apresenta um novo programa chamado I Don't Understand, que explora questões ecléticas da história e da ciência. (O programa gerou certa polêmica recentemente, porque está indo ao ar na RT, que os críticos chamam de propaganda oficial; Shatner disse em entrevistas que, na época, criou o programa para a Ora TV e até tuitou uma explicação.) Ele também apresenta o The UnXplained do History Channel, que investiga fenômenos mistificadores.

Veterano intérprete de melodias faladas, Shatner lançará no mês que vem um álbum chamado simplesmente ‘Bill’. Algumas das canções são inspiradas por eventos de sua vida, e entre seus colaboradores se encontra Dan Miller, compositor e músico do They Might Be Giants.

Ele também gostou de trabalhar com a empresa StoryFile, sediada em L.A., para passar cinco dias gravando respostas para uma tecnologia de conversação por vídeo interativo. Ele foi filmado com câmeras 3-D para que suas palavras possam ser ditas por meio de um holograma.

A ideia, diz ele, é que as pessoas possam apertar um botão e fazer perguntas a uma celebridade virtual – tipo “fazer perguntas ao vovô na lápide”, mas com respostas tecnologicamente avançadas.

Shatner fala sobre o legado que deixará mesmo depois que alguns de seus colegas de elenco de Star Trek morreram nos últimos anos, entre eles Leonard Nimoy, em 2015, e outros enfrentam a mortalidade: diz-se que Nichelle Nichols está numa batalha de tutela enquanto luta contra a demência.

E ele abraça especialmente a interação com os fãs, como no Awesome Con, onde também marcará presença Christopher Lloyd, coestrela de Shatner no recente filme Senior Moment.

Será uma “apresentação espontânea – como alguém consegue falar sem parar por uma hora?”, ele se pergunta. / Tradução de Renato Prelorentzou.  

Tudo o que sabemos sobre:
William ShatnerStar Trekcinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.