Will Eisner revisita o Vietnã em nova HQ

Ele ainda é melhor do que todosnós. Quem diz é Frank Miller, um Guga dos quadrinhos. "Ele" éo cartunista americano Will Eisner, há 60 anos no topo daspreferências de leitores e profissionais, diletantes e artistasgráficos. Uma unanimidade justa.Pois Eisner está de volta. Será lançado nestaquinta-feira, na Fnac Pinheiros, um dos seus álbuns maisrecentes e importantes, O Último Dia no Vietnã (DevirLivraria e Editora). Trata-se de um exemplar radical do conceitoarte seqüencial que Eisner criou lá pelos anos 50 (foi eletambém quem gestou aquilo que conhecemos como graphic novel).A Devir organizou um debate para o lançamento, comparticipações dos cartunistas e jornalistas Gualberto Costa (oGual), Sidney Gusman e o editor Douglas Quinta Reis. Em seguida,será exibido o documentário Will Eisner Profissão Cartunista de Marisa Furtado e Paulo Serran, feito em 1999 pelaScriptorium Filmes, com o apoio da STV (Rede Sesc Senac deTelevisão). A fita VHS com o documentário estará à venda.O Último Dia no Vietnã será lançado no Rio no dia 30,na Fnac Barra Shopping. No lançamento do Rio, o bate-papo é comos próprios cineastas Marisa Furtado de Oliveira e Paulo Serran,seguido da apresentação do documentário. Will Eisner não estáfazendo mais uma ficção sobre o Vietnã. Ele esteve lá em 1942 e1972.O Último Dia no Vietnã traz seis histórias dessaaventura militar do cartunista. Nenhuma delas tem cenas decarnificina ou ação cinematográfica. São construções em tornodo dilaceramento psicológico que a guerra causa, pequenos contoserguidos sobre o medo, a ignorância e a alienação.O veterano num campo de guerra tem um prêmio no seuúltimo dia. Faz apenas um serviço leve, como guiar um observadorou repórter aos fronts, de helicóptero. Mas isso pode se tornarum pesadelo, porque tudo o que o sujeito não quer é morrer nodia em que iria embora.Nascido em 6 de março de 1917 no Brooklyn, em Nova York,filho de imigrantes judeus, Eisner cursou a De Witt Clinton HighSchool no Bronx e começou a desenhar em 1936 na revista WOW -What a Magazine!. Ali, ele gestou seu primeiro personagem,Karry and The Flame.Em 1939, ele criou para o Quality Comics Group o seupersonagem mais famoso, The Spirit. Mostrava aí uma sólidadeterminação em romper com os códigos e as regras do mundo dossuper-heróis, criando aventuras com humor adulto, plenas deconsciência social e política.Mantém-se muito ativo profissionalmente e lúcido aos 83anos. Em 1999, ganhou o prestigioso prêmio Reuben da TheNational Cartoonists Society, durante o encontro anual dacategoria em San Antonio. "Como Sparky Schulz anotou em seulivro de anotações", ele disse. "Cartunistas querem bem unsaos outros, de verdade."O artista debruça-se sobre questões modernas daatividade com perspicácia e juízo. "Atualmente, mudançassísmicas têm sido adotadas na distribuição de comics", dizEisner. "Os artistas que tinham sido preparados para ilustrar epintar especulam como a Internet vai alterar a profissão -muitos cartunistas com os quais eu tenho conversado acreditamque esse é o fim do comic book como nós o conhecemos", pontua."Eu não acho isso", diz Eisner. "Para mim, os comicsem display eletrônico não vão tomar o lugar do print ou do papele que as regras de contar histórias gráficas vão permanecer e aInternet não vai alterar substancialmente as histórias que temospara contar", pondera. "Eu vou continuar a contar histórias empalavras e arte seqüencial sobre a condição humana."O Último Dia no Vietnã. De Will Eisner. Quinta, 19h.Fnac. Av. Pedroso de Moraes, 858, tel. 3097-0022. À venda naDevir (11) 3272-8200.

Agencia Estado,

13 de agosto de 2001 | 16h42

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