Reprodução/Instagram de Whindersson Nunes
Reprodução/Instagram de Whindersson Nunes

Whindersson Nunes, o humorista que não quer só fazer o brasileiro rir

Comediante que acaba de anunciar que será pai foi um dos responsáveis pela campanha de doação de oxigênio para Manaus

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2021 | 09h38

Whindersson Nunes é notícia e isso não é de hoje. Quem namora, de quem se separa, se está deprimido ou envolvido em algum comentário polêmico. Tudo o que ele faz alimenta o noticiário de celebridades. Nos últimos dias, porém, o comediante de 26 anos e dono do segundo maior canal brasileiro no YouTube, com mais de 41 milhões de seguidores (KondZilla tem 63 milhões), virou notícia por outra coisa: ele liderou uma grande campanha de doação de oxigênio e respiradores para Manaus, que via seu sistema de saúde entrar novamente em colapso levando à morte de pacientes com coronavírus por falta de oxigênio nos hospitais. Nesta quinta, 28, ele voltou aos holofotes ao anunciar a gravidez de Maria, sua namorada.

Nascido em 1995 em Bom Jesus, cidade com 30 mil habitantes, e criado em Santa Luz, com cerca de 2 mil, o piauiense Whindersson Nunes é filho de representantes comerciais e tinha escolhido a profissão de analista de sistema porque, segundo lhe disseram, ele poderia ganhar R$ 10 mil por mês. Era um bom salário para o garoto sonhador que já tinha feito bicos de garçom. Ele até estudou para ser técnico em informática, mas começou a fazer alguns vídeos em seu quarto, para postar no YouTube, e foi pegando gosto. 

Não que tenha dado certo logo de cara. Não tinha graça, ninguém via. Fez a autocrítica, se preparou melhor. O sucesso veio com a paródia Alô vó, to reprovado. Hoje, oito anos depois, o vídeo soma 8 milhões de pageviews. É muito - mas não é nada comparado com o do show Proparoxítona, compartilhado no canal em dezembro de 2017 e que soma mais de 99 milhões de visualizações.

Seus números são todos superlativos. O segundo vídeo mais visto, o show Marminino, tem 87 milhões de visualizações. O terceiro é Qual é a senha do wi-fi, paródia de Adele, com 76 milhões de views. E por aí vai.

Whindersson Nunes alterna, em seu canal, essas paródias com outros tipos de vídeos. Também bastante populares são aqueles em que ele fala sobre as diferenças de classe, como a parádia de Ed Sheeran Eu cansei de ser pobre (65 milhões), Criança de rico e criança de pobre (62 milhões) e Escola de rico e de pobre (44 milhões). Ele imita artistas, dubla cenas e comenta filmes, dança, canta, faz caras e bocas.

Com o primeiro grande pagamento que recebeu, deu entrada em um carro. Com o segundo, contou em entrevista, “arrumou os dentes”. Tem mansão em Fortaleza, que custou R$ 1 milhão, um jatinho para seis pessoas e outros investimentos que não revela.

Teresina foi a primeira cidade grande em que viveu. Chegou sem nada. Hoje mora em São Paulo, cidade que escolheu para facilitar sua locomoção - antes da pandemia, ele fazia um show atrás do outro em cidades espalhadas pelo Brasil todo e também em outros países. 

Ex-evangélico praticante, não por influência da família, mas por vontade própria, Whindersson Nunes já contou que não faz piada sobre política. Também não fala sobre religião. Mesmo evitando esse tipo de tema mais polêmico, às vezes desagrada - como quando, no programa Caldeirão do Huck, em 2018, resolveu fingir que era um intérprete de libras. Ele pediu desculpas.  

Seu trabalho é fazer com que a maioria goste dele, ele disse em uma entrevista. Sua meta para 2021, revelou nas redes sociais, é ficar rico. Mais rico. O primeiro casamento, com a cantora Luísa Sonza, acabou. Seu novo relacionamento está exposto também nas redes sociais, onde acaba de anunciar que vai ser pai pela primeira vez - em apenas 11 horas, até a publicação deste texto, o post somava 8,9 milhões de likes e 335 mil comentários. Whindersson é uma pessoa pública. Muito pública. São 49 milhões de seguidores no Instagram; 20 milhões no Twitter e 5,8 milhões no Facebook. E a pressão vem.

Whindersson é muito jovem, trabalha demais e tem muita responsabilidade. Em julho de 2019, ele revelou que sofria de depressão e estava se tratando com remédio e adotando um estilo de vida menos acelerado. Tirou um período sabático para se cuidar. Com a pandemia - e shows cancelados - Whindersson desacelerou ainda mais.

Há um especial dele e sobre ele na Netflix: Whindersson Nunes - Adulto. Sua cinebiografia está sendo produzida. E ele já atuou em Os Parças e Os Parças 2, ao lado de Bruno De Luca, Tom Cavalcante e Tirulipa, e em Os Roni. Isso tudo sem descuidar de seu próprio canal. 

A recente doação para Manaus para ajudar no tratamento de pacientes com coronavírus não foi a primeira manifestação de preocupação e de solidariedade de Whindersson Nunes, que já disse em entrevistas que gostaria de “fazer alguma coisa” pelo outro, e não dar apenas o que lhe resta. Naquela época, em 2019, ele disse que pensava em criar algum projeto ou instituto que ajudasse as crianças a se tornar adultos melhores e também considerava financiar pesquisas científicas.

 

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