Western das pistas

Western das pistas

Ron Howard faz de 'Rush', que estreia hoje, um épico da F-1

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2013 | 02h19

Em meados dos anos 1960, John Frankenheimer introduziu suas câmeras gigantescas e usou a tecnologia de ponta da época para invadir o mundo da Fórmula 1. Fez um filme eletrizante. Dividiu a tela em quadros, e a tela era gigantesca - 70 mm -, e transformou Grand Prix numa fascinante metáfora do capitalismo em ação. Quase meio século mais tarde, Ron Howard também invade o universo do automobilismo, mas ele agora não dispõe das facilidades de Frankenheimer em 1966. Existem patrocinadores demais, interesses poderosos em jogo para que um outsider - mesmo que seja um diretor que venceu o Oscar (por Uma Mente Brilhante) -, possa ter a mesma facilidade de locomoção.

Graças a seu produtor Brian Grazer, Howard conseguiu fazer Rush - No Limite da Emoção, que estreia hoje, de forma independente. Ganhou em autonomia, mas enfrentou o que considera talvez seu maior desafio. Como filmar a velocidade? Como jogar o espectador dentro da corrida? A TV faz isso a cada etapa do circuito da Fórmula 1, colocando a câmera dentro do carro ou grudada nele. O espectador está acostumado a ver a pista de dentro, do alto. O que faz a diferença em Rush é a intensidade do drama, pois há um, e poderoso.

Foi um projeto que Peter Morgan levou ao diretor. Morgan escreveu o roteiro de um dos melhores filmes de Howard, Frost/Nixon, sobre o embate do jornalista David Frost, há pouco falecido, para extrair do ex-presidente Richard Nixon, durante entrevista gravada, a confissão do seu envolvimento no escândalo de Watergate. O escritor prometeu a Howard outro grande estudo de personagens. Encontrou-o no campeonato mundial de Fórmula 1 de 1976, na rivalidade épica entre o piloto austríaco Niki Lauda e o inglês James Hunt. Sexo, drogas, rock-n'-roll e velocidade. A construção do universo de glamour da F-1. E o confronto de dois homens, representando diferentes atitudes perante o esporte e a vida.

Para Howard, o que há de atraente em Rush é a metáfora que o esporte lhe oferece para falar da rivalidade e do respeito entre os homens. Um western das pistas, baseado em velhos conceitos como lealdade e galanteria. Para realizá-lo, Howard inspirou-se num filme mítico de John Ford, de 1962. Mas você não precisa conhecer O Homem Que Matou o Facínora. Rush vale por si só.

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