Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Werner Herzog está no Rio para o Festival 4+1

Em entrevista, o cineasta alemão fala sobre seus documentários pouco convencionais

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

22 de novembro de 2012 | 02h08

RIO - Werner Herzog tem fama de irascível, temperamental. Agora mesmo, faz o vilão no novo thriller de Tom Cruise. "Sou ótimo fazendo o vil, o cruel", ele brinca. Autor de grandes filmes nos anos 1970, ele se mantém à tona com documentários memoráveis como Into the Abyss, que mostra no Rio, no Festival 4 + 1,da fundação espanhola Mapfre, evento que se realiza de dois em dois anos. O festival ocorre simultanemente em cinco cidades, mas uma vira a sede. Rio, Bogotá, Buenos Aires, Cidade do México e Madri. A primeira a sediar o 4+1 foi Buenos Aires, agora é a vez do Rio. Simultanemente, os 14 filmes selecionados podem ser vistos pelos internautas na plataforma Filmin, um conglomerado de produtoras espanholas, incluindo a El Deseo, de Pedro Almodóvar.

Entre os filmes que você pode ver, e votar - pois há um vencedor, no final, e ele será conhecido no domingo -, estão Crazy Horse, de Frederick Wiseman; La Folie Almayer, de Chantal Akerman; e La Demora, de Rodrigo Plá. Como convidado, Herzog não apenas é tema de uma minirretrospectiva como ministra uma master class. Será nesta quinta-feira, 22, pela manhã, no CCBB do Rio, que abriga as projeções. O 4 + 1 é chamado de festival dos festivais por apresentar filmes já avalizados em grandes mostras de cinema ao redor do mundo. A regra básica: nenhum deles tem distribuição assegurada nos países que integram o evento.

Werner Herzog fez filmes que muitas vezes mostram o colapso da civilização, a revolta dos homens, a loucura, a morte. Uma famosa interpretação de sua obra fala do peso dos sonhos, que oprime seus personagens. São figuras como Aguirre, Kaspar Hauser, Nosferatu, Fitzcarraldo. Herzog investiga agora o universo dos condenados à morte. Mas Into the Abyss não é sobre a pena de morte, mesmo tendo sido feito no corredor da morte de uma prisão no Texas.

Herzog, que sempre fez um cinema pouco convencional, faz documentários também pouco convencionais. Ele não pergunta. "Não sou jornalista, sou poeta", define-se. Ao capelão da cadeia, pede, o que parece despropositado, que fale sobre os pardais. Se não foge ao tema da morte, interessa-lhe a vida. "No final, é o que importa. A morte é certa. O que nos distingue é como vivemos."

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