Werneck lança hoje em SP um dicionário de clichês

O escritor e jornalista Humberto Werneck lança hoje o livro "O Pai dos Burros". É um livro que cabe na palma da mão, mas tem 4.500 expressões espalhadas por 2 mil verbetes, um dicionário de clichês capaz de envergonhar qualquer autor. Werneck diz que não escreveu o livro para punir os proscritos da linguagem. Jura que não tem vocação para policial dos excessos semânticos. Ao colecionar frases feitas e lugares-comuns desde 1972, ele só teve a intenção de incentivar a ?reciclagem criativa de expressões?.

AE, Agencia Estado

25 de agosto de 2009 | 08h11

No começo, conta, anotava expressões banais, frases repetidas à exaustão e palavras com prazo de validade vencido. Mais de uma vez, diz, teve vontade de atirá-las ao lixo numa daquelas ?heroicas? faxinas de escritório. No entanto, refletindo melhor, viu que elas poderiam divertir a moçada. Convertido em ?gari da semântica?, Werneck passou a colecionar expressões como ?escola da vida?, ?origem humilde? e ?escória humana?. É certo que, no ato de registrar tais palavras, autores preguiçosos costumam se servir da escrita automática consagrada pelos surrealistas. O livro de Werneck quer justamente ?recomendar desconfiança? diante de tanta facilidade. ?Nada de bom pode vir desse automatismo?, afirma.

Um obcecado pela funcionalidade da linguagem, Werneck revela que sua padroeira é Xerezade, a contadora de histórias de Mil e Uma Noites, cuja capacidade de invenção lhe garantiu a sobrevivência. É tudo o que a nova geração da internet não consegue. ?Há uma certa uniformização da linguagem que me preocupa?, observa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Pai dos Burros. De Humberto Werneck. Arquipélago Editorial. 208 páginas. R$ 29. Livraria Cultura. Av. Paulista, 2.073, 3170-4033. Hoje, às 18h30.

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