Waters defende saída de Israel de territórios palestinos

No Rio em turnê, o ex-baixista do Pink Floyd, Roger Waters, conhecido por seus posicionamentos políticos, defendeu a saída de Israel de territórios palestinos, e fez críticas à política externa do governo Barack Obama. Waters é britânico, mas mora nos Estados Unidos, e sempre se declarou pró-Obama.

ROBERTA PENNAFORT, Agência Estado

28 de março de 2012 | 21h08

"Uma vez que você entra na Casa Branca, te dizem: ''Esqueça tudo, é assim que as coisas realmente acontecem aqui é isso que você vai fazer''. Um cara tão inteligente, comprometido com as questões sociais, como ele é, manda mais tropas para o Afeganistão, por exemplo? Existem interesses obscuros nessa questão que nenhum de nós sabe. O povo americano não entende", disse Waters.

Ele convocou entrevista na tarde desta quarta-feira para divulgar um manifesto pró-Palestina, em apoio ao Fórum Social Mundial Palestina Livre, que será realizado em Porto Alegre, em novembro, e também para falar sobre os shows que faz no Rio e em São Paulo esta semana. Waters participa da campanha internacional Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), contra Israel, e aceitou fazer o anúncio no Rio depois que um amigo de Ramallah lhe pediu para apoiar o evento. "Quando você vê o muro (na Cisjordânia, construído por Israel) e vê o que os dois lados dizem, vê logo que só há um lado em que se pode estar. A Palestina não é um estado terrorista", afirmou o músico, que não deve voltar ao Brasil para o fórum.

"Existe um muro entre o que as pessoas ficam sabendo e o que acontece nos corredores do poder", disse. Era uma alusão também a "The Wall" (O Muro), o nome de sua turnê, baseada no disco homônimo de 1977, e com críticas ao totalitarismo. "Mas o muro de lá não é efêmero como o do show", ressalvou, referindo-se à barreira cenográfica, de 137 metros de extensão, montada para o espetáculo.

Outra questão sobre a qual Waters vem se manifestando é a das Ilhas Malvinas, na Argentina, ocupadas pela Inglaterra e cuja soberania tem sido reclamada pela presidente Cristina Kirchner. Na turnê, ele homenageia, entre outras vítimas do "terrorismo de Estado", o mineiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia inglesa em 2005. Sobre o Brasil, disse se impressionar com a "melhor distribuição da riqueza".

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