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Volta por Cima

Artistas são devidamente valorizados em vida?

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2018 | 05h53

Nossos artistas são devidamente valorizados em vida? A resposta para essa pergunta me parece cada dia mais óbvia. Não, não são. Infelizmente, a maioria não. Os teatros lutam para conseguir lotar a plateia, a formação de público é uma tarefa e tanto, os recursos públicos para arte são cortados, e se não bastasse tudo isso o artista é colocado por pessoas de pensamentos diferentes no lugar do dependente de verbas, aquela frase horrorosa sobre mamar... Enfim, socorro! Não vou repetir aquela frase. Mas, na luta diária de um trabalhador das artes tudo isso faz parte, e ver um artista poder ser reconhecido em vida é um carinho no coração. Carinho no coração do artista e no de todos nós. 

E é sobre esse carinho no coração que eu vou falar. O nome da artista você já conhece e sabe muito bem quem é. Ela é fundamento da nossa música e da cultura brasileira: Elza Soares. O reconhecimento não é novidade para essa guerreira (cuja arma é a voz), Elza lançou em 2015 o primeiro disco de inéditas A Mulher do fim do Mundo, depois de uma já longa e estabelecida carreira, esse álbum feito com uma turma de artistas como Kiko Dinucci, Romulo Fróes, Rodrigo Campos, Marcelo Cabral, Guilherme Kastrup, Thiago França entre outros foi um presente para ela e dela para nós. Um espetáculo feito por ela e a colocando no lugar merecido dentro da nossa cultura. Depois disso, ela lançou esse ano mais um trabalho com a mesma trupe e alguns novos integrantes chamado Deus é Mulher. E quem ouve a voz de Elza, acompanha sua trajetória, lutas e conquistas tem certeza que Deus é Elza. 

Elza é cantora, artista, mulher, negra, veio do “planeta fome” (frase dita por ela no programa de calouros do Ary Barroso em 1953), ela é uma lutadora, assim como tantas outras mulheres. E é disso que essa coluna trata. Quero falar de Elza, o Musical que é das coisas que salvam nos dias que estamos vivendo. São 7 mulheres potentes interpretando Elza, pois ela não é só uma e nenhuma de nós é. Larissa Luz, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Janamô, Júlia Tizumba e Verônica Bonfim são as atrizes, cantoras, forças que representam essa outra mulher e a essas sete meu reconhecimento e profunda admiração pelo trabalho feito. Quando Larissa Luz, que eu já conhecia do ótimo trabalho autoral de cantora e compositora começou a cantar eu tinha certeza que ela estava dublando a Elza (impressionante). Além delas, em cena, uma banda toda formada por mulheres. 

A direção do espetáculo é de Duda Maia, texto de Vinícius Calderoni, direção musical de Pedro Luís, Antônia Adnet e da própria Larissa Luz com arranjos de Letieres Leite. A peça segue em cartaz até o dia 18 de novembro no Sesc Pinheiros. 

O autor diz “Escrever uma peça sobre Elza Soares é impossível: Elza se escreve sozinha” e, sim, ela se escreveu sozinha mas foi muito bem representada por essa equipe. Das armas para combater o que aconteceu no Brasil, essa é das mais potentes... Como diz Elza na peça: “Não precisamos portar armas, precisamos portar voz” – e depois aplausos de pé! Viva a nossa voz. 

Capa da Semana

Holger

Na sexta-feira agora, 9, sai o novo disco da banda Holger, formada em São Paulo em 2006. Esse é o quarto álbum da banda paulistana. 

Nesta coluna, apresento em primeira mão a capa do novo trabalho, que leva o nome de Relações Premiadas

A arte da capa é do quadrinista, artista plástico e ilustrador DW e o disco sai pela Balaclava Records

 

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