Benoit Tessier/ Reuters
Benoit Tessier/ Reuters

Vocalista do The Kills fala sobre novo álbum e parceria com Jack White

Alison Mosshart aterrisa com a banda no Brasil para shows em SP nos dias 26 e 27 de outubro

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2011 | 03h06

The Kills é uma das bandas de boy-girl mais legais do rock. Já veio ao Brasil, para tocar em um galpão na Vila Leopoldina, há alguns anos. Está de volta a bordo de um disco devastador, Blood Pressures, garage rock da melhor cepa, noise rock minimalista lançado no primeiro semestre deste ano, e que vem rendendo ao Kills uma das turnês mais concorridas do pop atualmente. Eles chegam ao Brasil no fim do mês como a grande atração da 8.ª oitava edição do Popload Gig. Tocam no Beco (R. Augusta, 609) nos dias 26 e 27, uma quarta e uma quinta-feiras.

O Kills já estrelou este ano alguns dos maiores festivais do Planeta, como Coachella, Glastonbury, Lollapalooza e Reading Festival. Jamie Hince toca guitarra e ocasionalmente opera uma drum machine. Alison Mosshart berra, toca guitarra (e ainda acha tempo para ser, eventualmente, a bandleader de uma das bandas paralelas de Jack White, o Dead Weather).

Desde a última vez que estiveram por aqui, quando tomavam cerveja no bar sem ser incomodados, os dois viraram estrelas. James Hince casou em julho com a supermodel Kate Moss (com direito a Bryan Ferry cantando na recepção aos noivos, e convidados como Paul McCartney, Bob Geldof e Naomi Campbell). Por seu lado, Alison tocou na festa com John Paul Jones (Led Zeppelin), Seasick Steve e Jack White.

Eles agora sabem o que é ser caçados pela imprensa. "É duro esperar que os jornalistas consigam decifrar sua música. Desde o nascimento do rock journalism, tem sido mais fácil descrever bandas comparando-as com outras", alfinetou Hince.

Alison Mosshart falou ao Estado por telefone, na tarde de terça.

O seu novo disco está soando mais pesado do que nunca. Estou errado?

Você não está errado. As guitarras estão mais pesadas, estamos tocando mais alto e de forma mais nervosa.

Quer dizer que você está mais pessimista em relação ao mundo?

Não. Estou muito otimista. O que fizemos foi tentar fazer um disco de uma forma que não tínhamos feito antes, com mais instrumentação, tentando experimentar coisas novas e ao mesmo tempo transmitir uma sensação de excitação.

De alguma maneira, você vê influência de Jack White nesse seu trabalho mais recente?

Acho que sim. Ele gosta de tocar rápido, e compor rápido, de uma forma a captar a própria atmosfera da criação. Chegamos a fazer seis canções em três dias com Jack. E eu e James fizemos esse álbum nesse ritmo, compusemos de 3 a 4 canções por dia. No Dead Weather, a banda toda acompanha o ritmo dele, que toca bateria no grupo, e acho que isso tudo me ensinou a ser mais espontânea, a pensar mais como se fosse sempre uma live session. No Dead Weather, geralmente a gente começa tocando e em alguns minutos eu já sei exatamente como aquilo soa, e no que vai dar.

O seu disco novo é pesado, mas também tem umas baladas cortantes. Como The Last Goodbye, por exemplo. Você lembra a Marianne Faithfull cantando. Gosta dela?

Não ouvi muito Marianne, mas amo o que conheço. Ela foi influência para muita gente, é uma artista incrível, uma voz linda.

A outra balada, Wild Charms, é cantada por James Hince, seu parceiro. É engraçado, ele parece o Chris Isaac cantando.

Eu não diria isso. As duas canções foram feitas de forma muito espontânea, tudo foi feito em coisa de 10 minutos, um tempo muito curto, e não houve muito tempo para racionalizar, buscar influência. É uma improvisação que resultou em algo legal. Gosto muito da voz do James nessa faixa, ficou incrível.

Você se lembra da última vez que The Kills tocou em São Paulo (a banda se apresentou em 2005 no extinto Campari Rock, na Fábrica Lapa, um antigo galpão industrial próximo à Ceagesp)?

Olha, dos shows eu não lembro muito, mas lembro bastante da arquitetura, que chama a atenção, é fantástica. E dos restaurantes, a comida, que é uma das mais ricas do mundo. James se ligou muito nos clubes noturnos, na vida noturna, achou espetacular. Ele é muito ligado nisso.

O Dead Weather já está esgotado ou vocês ainda têm planos juntos?

Sim, vamos tocar muito juntos ainda. Amamos tocar uns com os outros. Mas a verdade é que nunca temos um plano, as coisas simplesmente acontecem. A gente se reúne, toca, grava, faz show. No momento, estamos todos muito ocupados, mas vai acontecer de novo. Logo estaremos tocando juntos mais uma vez.

THE KILLS

Beco. Rua Augusta, 609,

Telefone 2339-0351.

Dias 26 e 27/10, 22 h.

R$ 150

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