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Vocalista do Rapture fala do retorno da banda e do novo álbum

Grupo de dance punk se apresenta no Cine Joia, em São Paulo, dia 25

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h08

Antes do LCD Soundsystem, havia o Rapture. Era 2002 e o underground nova-iorquino fervia com bandas em busca de uma sonoridade crua, baseada no pós punk de Gang of Four, Talking Heads e Joy Division. A tendência era cortar os excessos para chegar a uma combinação de guitarras afiadas e pulsações secas, uma rejeição do rock grandioso que dominava o mainstream no fim do milênio. O Rapture era a bola da vez. Com vocais esgoelados, ecos de acid house e os acordes farpados, o single House of Jealous Lovers dominou o verão do ano e transformou o Rapture e a gravadora DFA, do hoje essencial James Murphy, no ó do borogodó indie.

Assinaram com a Universal, lançaram o elogiado Echoes (arquitetado por Murphy e seu comparsa Tim Goldsworthy ) e entraram para a história como a banda que ressuscitou o dance punk, o filhote que o pós-punk teve com a disco no início dos anos 80; algo que o LCD Soundsystem, de Murphy, em breve transformaria em cartão-postal da música alternativa.

Foi um feito notável para o Rapture, se considerarmos quão dominante a sonoridade foi nos anos 2000 (vide Franz Ferdinand, Spoon, LCD e outras). Mas, além disso, o contagiante ritmo do trio simbolizou uma guinada no zeitgeist comportamental dos fãs de música alternativa, que, de acordo com resenhas, na virada do século ainda assistiam a shows de braços cruzados, e torciam o nariz para qualquer movimento em sincronia com a música. Assim, o Rapture lembrou os descolados que o quadril é feito para requebrar e (eureka!) estavam abertas as portas para uma era menos cínica nos inferninhos nova-iorquinos.

Fast-forward e chegamos a 2012, em que o Rapture, que toca em São Paulo, no Cine Joia, no dia 25, tenta retomar a carreira depois de cinco anos sem lançar um disco, e depois de uma década que viu a banda de seu produtor voar bem mais alto.

"A forma com que eu me relaciono com a música esteve em pane", conta o guitarrista e cantor Luke Jenner, em entrevista ao Estado. "Eu fiquei fissurado com a fama, tentava provar para todos que ainda era capaz de produzir música que chegasse à crista da onda. Quando isso acontece, o único jeito de resolver a situação é dar um tempo. Tinha inveja de outras bandas, de que nós não estávamos na capa das revistas. Assim, esqueci que era pai e marido", disse.

O destino não foi gentil com Jenner. No período em que a banda esteve afastada, seu filho nasceu, mas sua mãe cometeu suicídio poucos meses depois. O músico ficou desnorteado, parou de gravar e limitou-se a lançar alguns mixes. Buscou consolo em uma igreja Baptista, onde começou a cantar em um coral gospel e, aos poucos, retomou o rumo criativo. "Eu estava compondo bastante e Blue Bird originou-se como uma canção acústica. Quando sua mãe toma a própria vida, é uma pancada enorme. Você não escolhe se ama sua mãe, não importa o que ela faça com você. Esta música fala sobre isso", contou Jenner recentemente à revista Spin, sobre a canção do novo disco In The Grace of Your Love. O refrão de Blue Bird ("Eu vejo você do outro lado") é um exemplo dos tons espirituais que tecem a contagiante narrativa da volta por cima de Jenner. Em Come Back To Me, as influências do gospel se misturam ao house para construir um hit com coral e refrões fervorosos. A batida sugere os hits de Corona, Real McCoy e C+C Music Factory, astros do dance pop noventista (há até um acordeom ao fundo, que sugere lambada). A ótima How Deep Is Your Love tem a mesma pegada; a faixa-título, mais arrastada, é viciante, com uma das melodias mais destacadas de 2011.

Ouvir In the Grace of Your Love, tanto a faixa como o disco, é torcer pela retomada de uma banda que já esteve aos cacos, mas lançou um disco prenhe de alma, cujas próprias imperfeições o tornam irresistível como qualquer trilha eficaz de uma escalada para fora do poço. Jenner amadureceu e aprendeu a cantar. As vozes e guitarras lembram o Black Keys e suas readaptações do blues. Mas o Rapture ainda retém a pulsação que os fizeram famosos, embora agora ela seja mais voltada ao eletrônico. O disco é arrematado por Philippe Zdar, um dos produtores mais requisitados do momento, que assinou o disco Wolfgang Amadeus Phoenix, do Phoenix, em 2009. "O Philippe é um cara otimista e eu queria fazer um disco otimista. Ele é profundo e eu precisava de alguém que compreendesse o que se passava comigo naquele momento", explica.

No mesmo dia, toca o DJ Breakbot, fenômeno do YouTube. Breakbot, que vem da França, é autor do hit de disco soul I'm Yours (3 milhões de visitas) e já assinou vários remixes de nomes importantes. Deve esquentar a pista com categoria para o Rapture.

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