VMB coloca Pitty em disputa com banda Cachorro Grande

Banda tenta acabar com hegemonia baiana concorrendo nas categorias artista do ano, melhor show e clipe

Jotabê Medeiros, do Estadão,

25 de setembro de 2007 | 18h07

Caminhamos para 4 anos de hegemonia baiana no VMB - sem considerarmos as inúmeras participações "quase surpresa" de Caetano Veloso. E a baiana Pitty continua à frente dessa coisa que quase não se ousa mais dizer o nome hoje em dia: a preferência massiva do público. Pitty concorre como artista do ano, clipe do ano (pela música Na Sua Estante) e na categoria hit do ano. Somente a banda gaúcha Cachorro Grande ousou desafiar os piercings da baiana e também tem três indicações: artista do ano, melhor show e clipe do ano (pelo vídeo de Você me Faz Continuar). Vídeo de Suplicy declamando Racionais concorre ao VMBVeja a lista dos indicados ao VMB 2007 Na era da internet, do YouTube, do MySpace, dos podcasts e dos blogs, as perguntas que sobram são: que público? Que massa? Que sucesso? E o que significam esses termos? "Acho que são muitas as ‘fórmulas que consagraram’ a MTV no Brasil e uma delas, de fato, foi a exibição de videoclipes em rotação, como se faz em rádio. Esse modelo durou , grosso modo, até meados da década de 90 quando a MTV no Brasil começou a produzir outros formatos e a investir num modelo de televisão jovem e musical e não mais na chamada ‘rádio colorida’ que só exibia produtos feitos por terceiros. E foi nessa virada que a MTV de fato se consagrou", explica Zico Góes, diretor de programação da MTV. "A verdade é que , embora o clipe tenha sido o esteio da programação durante algum tempo, ele nunca teve apelo comercial muito forte e nem dava muita audiência, não." Segundo Góes, a MTV começou a mudar o perfil a partir de 1995. Os programas que foram configurando essa nova cara, segundo ele, foram o Barraco MTV, o Teleguiado, o RockGol e o próprio VMB, hoje completando 13 anos. A partir de 1999, outros programas vieram cristalizar a opção: Erótica, Piores Clipes, VJ por Um Dia, MTV na Estrada, Fica Comigo, Control Freak. Também foram incorporados Hermes e Renato, Vinte e Poucos Anos, Top Top, Casal Neuras e o reality Quebradeiras. "Enfim, me parece sim, que estamos vivendo o fim da era do videoclipe na TV", diz Zico. "Não significa que estamos cuspindo no prato em que comemos nem que não somos mais musicais. Temos os documentários, temos música ao vivo todos os dias da semana, temos os Acústicos e os MTV ao Vivo. O DNA continua o mesmo, mas o nosso ‘corpinho’ cresceu e mudou muito e audiência e o mercado acompanharam." Seria de se perguntar se, enquanto a indústria fonográfica vê encolher seu negócio, se também não estariam minguando as receitas publicitárias que sustentariam uma emissora envolvida com o negócio da música. "A indústria fonográfica nunca investiu na MTV ou no VMB. Não rola jabá", rebate Góes. "Somos parceiros antigos, mas é cada um na sua. Eles gravam e vendem música, nós fazemos e vendemos TV. A relação mais estreita é com a audiência. O VMB é a essência desse triângulo amoroso MTV-público-artista, e o fato de o clipe não ser mais o foco, ou de o mercado fonográfico estar com dificuldades, não muda a importância do prêmio." Segundo Góes, o videoclipe foi efetivamente a principal matéria-prima dos 12 VMBs que antecederam este de 2007, mas, curiosamente, não era o clipe que mobilizava a audiência. "Ninguém votava no clipe, a não ser nas categorias técnicas, mas sim na sua banda, artista e música favoritos. E essa relação continua firme e forte." Já quase uma veterana da TV brasileira, a MTV também já se prepara para a entrada na era da transmissão digital, em dezembro. "Já há programas captados em HD (high definition, alta definição) e outros virão ao longo do ano que vem. Estamos estudando também modelos da famigerada interatividade, mas ainda não nos deparamos com nada que já não tenhamos feito ou estejamos fazendo."

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