Vive La Fête celebra dez anos de ferveção

Loira que já desfilou em Paris para Karl Lagerfeld e Walter van Beirendonck passa a criar vacas e cavalos em sítio na Bélgica e de noite se diverte fazendo eletro com tempero erótico.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2010 | 00h00

Parece manchete prolixa de um velho tabloide sensacionalista?

Pois não é. É a pura verdade. O nome da loira é Els Pynoo, 1m80 de altura, e ela é a frontwoman do grupo belga Vive la Fête. Ela já conhece São Paulo de três viagens anteriores, e, nesta quarta aventura pelo País, toca hoje no novíssimo Comitê, na Rua Augusta (no sábado, estará na Sociedade Hebraica, em Porto Alegre). Els vive com o companheiro, Danny Mommens (guitarrista, tecladista e produtor do grupo) em Ghent, na Bélgica, numa fazendola bucólica cercada de animais. "Dão mais trabalho do que filhos. Por causa deles, durmo pouco. Já de manhã tem que começar a tratar deles", ela diz. O casal não tem filhos.

O Vive la Fête está festejando 10 anos de carreira em turnê pelo mundo. Anteontem, estava na Colômbia. "No começo, éramos mais pop, mais eletro. Acho que o som mudou um pouco, está mais rock, com mais guitarras", analisa a loira, que nunca topou fazer projetos paralelos. "Já tive convites de outras bandas, outros grupos, mas o fato é que com o Danny é muito melhor, é muito mais completo", diz a romântica ex-modelo.

Segundo Els, a combinação que ainda move o Vive la Fête, agora quase um veterano das pistas, é formada pela seguinte equação: "Muito amor, muito humor, e uma boa vibração." Já está tudo no nome do grupo, cuja sonoridade é coisa da cabeça de Danny, uma espécie de cientista maluco da música belga. Além do Vive la Fête, ele também é o baixista da banda cult dEUS e encabeça outros dois projetos, o Sexmachines, de rock"n"roll, e o Jesus Christ, de heavy rock.

O tempero hot é dado pela performance de Els, bastante apimentada. Ela é discípula da canção erótica francesa dos anos 1960. "Adoro o sentimento dos anos 60. Principalmente aquele tipo de erotismo naïf, ingênuo. A música de Gainsbourg, de Brigitte Bardot, tudo aquilo me atrai e é muito natural para mim, porque escuto desde criança", contou.

"Nós vamos cantar coisas de todos os discos, como uma retrospectiva", avisa a loira. Isso significa que o repertório do disco mais recente, Disque D"or (lançamento ST2) não vai prevalecer, apesar de marcar a data da maturidade musical da banda. Disque D"or é eclético, mas bastante marcado pelo som punk, embora mesclado ao eletro tradicional. Entre os atos pop que surgiram na virada dos anos 90, o Vive la Fête é um dos que persistem, e com agradável atualidade. O prestígio os escala para todos os palcos do mundo, de festivais como Roskilde, Gurten, Benicassim, Arvika, Lowlands, Paleo, Pinkpop ao Montreux Jazz Festival.

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