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Vitória dos novos talentos, mas sem radicalismo

Foi tão previsível que poderia ter se tornado enfadonha. Poucas cerimônias de premiação do Oscar seguiram tanto o figurino traçado pelas premiações das Guilds, as ligas ou sindicatos (de atores, produtores, diretores, roteiristas e montadores). As raras surpresas não chegaram a alterar o script previamente traçado. O Discurso do Rei, Tom Hooper, Colin Firth, Natalie Portman - alguma dúvida de que eles iam ganhar? Não apenas eles. Christian Bale, Toy Story 3 (melhor animação), Trabalho Interno (melhor documentário) e Um Mundo Melhor (filme estrangeiro), todas vitórias previamente anunciadas.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2011 | 00h00

Se o não vazamento dos prêmios não fosse garantido por auditoria, se poderia dizer até que os roteiristas da cerimônia conheciam os resultados - mas eles, na verdade, apostaram no certo, como aconteceu. Ou terá sido mera coincidência que os apresentadores James Franco e Anne Hathaway tivessem interagido com, respectivamente, suas avó e mãe logo na abertura da cerimônia (ambas estavam na plateia), precedendo a declaração final do diretor vitorioso, que creditou a mamãe (também presente) a decisão de biografar o rei George VI. Que lição se pode tirar disso? Ouçam os conselhos da mãe, sentenciou Tom Hooper.

Mais familiar, impossível. Mas a festa não foi enfadonha. Teve até momentos ótimos - a maioria deles ligada à parte musical. A homenagem a Lena Horne, conduzida por uma Halle Berry de tirar o chapéu; as letras satíricas superpostas às imagens dos filmes indicados para melhor canção; as imagens dos candidatos a melhor filme montadas sobre o áudio do discurso do rei Colin Firth - outra prova de que a Academia estava careca de saber, ou pelo menos estava apostando, que o Oscar de 2011, para os melhores de 2010, já tinha dono.

Anunciada como foi, a vitória de O Discurso do Rei não foi acachapante. Campeão de indicações (12), O Discurso ganhou em quatro - melhor filme, diretor, ator e roteiro original, o mesmo número de estatuetas atribuídas a A Origem, de Christopher Nolan - melhor fotografia, mixagem de som, edição de som e melhores efeitos. Se os números foram parelhos, a ressonância foi diversa. O Discurso venceu nas categorias artísticas, A Origem, nas técnicas. Seria injusto ver nisso uma expressão da qualidade das obras.

O Discurso joga, assumidamente, a carta do filme pequeno, como A Origem a do filme "grande". O homem não quer ser rei, conhece suas limitações (não só a gagueira), mas é forçado, pelas contingências, a assumir seu papel social - um papel, o de monarca, que o supera. Alguém, assistindo a O Discurso do Rei, consegue acreditar no happy end? Que aquele rei possa ter sido feliz? Quanto a A Origem, só louco para minimizar a força e o alcance do filme de Nolan, vendo-o apenas como exibicionismo técnico da indústria..

Favorito desde as premiações dos críticos dos EUA, no fim do ano, A Rede Social, de David Fincher, perdeu o posto quando O Discurso passou a somar os prêmios dos sindicatos. Mas levou três troféus - roteiro adaptado, trilha e montagem. Darren Aronofsky teve de se contentar com o prêmio de atriz para Natalie Portman, por Cisne Negro, e ela não deixou por menos - chamou-o de visionário. Entre os campeões de indicações, só os Coen não levaram nada - e olhem que Bravura Indômita é o maior sucesso deles. É a lição a tirar deste Oscar. A Academia apostou nos novos talentos, mas com o cuidado de não radicalizar.

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