Virada Cultural terá mais de 800 atrações

Eixo central da cidade de São Paulo vai ser dominado por uma maratona musical de mais de 24 horas

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2008 | 17h41

Pés preparados, ouvidos atentos, muito fôlego e agilidade na tomada de decisão, entre uma infinidade de opções, são requisitos indispensáveis para acompanhar a Virada Cultural. A partir das 18 horas de sábado, 26, e até o fim da tarde de domingo, 27, o eixo central da cidade de São Paulo vai ser dominado por uma maratona musical de mais de 24 horas, que se insinua recordista em número de atrações. Só no centro são 26 palcos com shows para gostos, idades e estilos variados. É de dar nó no relógio. Há também atividades teatrais, de dança e performances circenses, intervenções literárias, programação de filmes e até roda de capoeira, mas o forte é a música. Tudo grátis. Veja também:Construa a sua programação personalizada para a virada  Acompanhe dicas da Virada Cultural   No ano passado foram 350 atrações no geral, esta quarta edição gira em torno de 800. Isso na contabilidade oficial, fora os que pegam carona na Virada. Além dos palcos e pistas de dança em que se transformarão ruas e calçadões na região central, administrados pela Prefeitura, há os agregados de 12 unidades do Sesc, como Pompéia, Santana, Pinheiros e Vila Mariana, a Casa das Rosas na Avenida Paulista, o Auditório Ibirapuera, o Memorial da América Latina, o Centro Cultural São Paulo e casas noturnas como Clash, D-Edge, The Week e CB Bar. As atividades na periferia este ano vão se limitar às unidades do CEU (Centro de Educação Unificado). Tem muita música da boa, a partir da entrada da cantora cabo-verdiana Cesaria Evora, no Palco São João, e do carioca Luiz Melodia, no Teatro Municipal, que abrem a programação às 18 horas de sábado, 26. Cesaria se destaca entre as atrações do palco instalado ao lado da Praça Júlio de Mesquita, que reúne algumas das atrações mais populares e que devem fazer os shows mais previsíveis: Gal Costa, Jorge Ben Jor, Zé Ramalho, Mutantes. O Teatro Mágico, Marcelo D2 e a Orquestra Imperial trazem frescor ao programa desse palco. O Teatro Municipal vai concentrar o maior número de shows baseados em "discos antológicos", que consiste na recriação integral desses álbuns, com as músicas tocadas na seqüência em que foram gravadas. Além de Pérola Negra, de Melodia, os mais conceituados são Dança das Cabeças (Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos), Passado, Presente e Futuro (Sá, Rodrix & Guarabyra), O Importante É Que a Nossa Emoção Sobreviva (Eduardo Gudin, Paulo Cesar Pinheiro e Márcia) e Onze Sambas e Uma Capoeira (Paulo Vanzolini e convidados). O encontro dos bandolinistas da hora Hamilton de Holanda e Danilo Brito, tocando Vibrações, de Jacob do Bandolim, também promete. Fora do Municipal tem Maria Alcina, reinterpretando seu segundo álbum homônimo, de 1974, no Baile do Largo do Arouche, e o Ultraje a Rigor com Nós Vamos Invadir Sua Praia, no palco de rock da Praça da República, que também vai ter outros expoentes dos anos 80 (Arnaldo Antunes, Lobão) e rock pesado com Cachorro Grande, Andreas Kisser e Paul Di’Anno, ex-vocalista do Iron Maiden. Mais rock indie e misturas contemporâneas vão rolar no Pátio do Colégio, um dos pontos mais convidativos para o contato com as novidades da Virada. Além dos já consagrados pernambucanos Siba e a Fuloresta e Mundo Livre S.A., por ali vão passar Do Amor, Retrofoguetes, Vanguart, Los Poronga, Superguidis e outras boas bandas de quase todo o País. Com ar novidadeiro, também foi montada a grade do Palco das Meninas, que tem como atração principal a mineira Fernanda Takai, com seu ótimo show baseado no CD Onde Brilhem os Olhos Seus, em que homenageia Nara Leão. Um bom número das demais cantoras novatas tem mais pretensão e pose do que talento, outras são apenas razoáveis em disco e piores no palco. Bem fazem Tatiana Parra e Verônica Ferriani, que ainda não gravaram CDs, mas mandam muito bem ao vivo. Andréia Dias, Clara Moreno e Giana Viscardi estão entre as melhores. A música eletrônica estará nas boas mãos de Mau Mau, Patife, Ramilson Maia e Felipe Venâncio, na Rua XV de Novembro, mas a maior curiosidade parte dos holandeses do Silent Disco. Eles vão distribuir 500 fones de ouvido e só quem estiver equipado com eles vai poder ouvir e dançar o que eles tocarem no Largo São Bento. O hip-hop, grande "vilão" do ano passado, por conta da confusão no show dos Racionais MC’s, vai se concentrar no Parque Dom Pedro, tendo como principal atração o lendário DJ americano Afrika Bambaataa. Ali perto, no Mercado Municipal, a madrugada começa com muita música caipira. O Largo Santa Ifigênia vira reduto do samba, com Dona Ivone Lara entre as atrações. Tem também música instrumental, de baile, pista de dub e tudo o mais. Na corrida de um palco para outro você pode cruzar com o ator Paulo César Pereio interpretando textos de Machado de Assis numa charrete ou um bloco carnavalesco, ou uns franceses mascarados (do grupo teatral Genèrik Vapeur) fazendo peripécias com tambores. Confira a programação completa no site, divirta-se e sobreviva.

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