Virada Cultural muda estratégia de policiamento

Evento diminuiu 20% de sua área territorial a pedido da Polícia Militar; prefeito promete mais homens nas ruas

JULIO MARIA , LAURA MAIA DE CASTRO, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2014 | 07h15

O prefeito Fernando Haddad e o secretário de Cultura Juca Ferreira anunciaram ontem os detalhes e a programação da Virada Cultural, que ocorre nos dias 17 e 18. Os sérios problemas de segurança do ano passado determinaram mudanças de estratégia desta 10.º edição. Em 2013, houve uma proliferação de brigas e arrastões na madrugada, com roubos, sobretudo de carteiras e celulares. A sensação de insegurança tomou o centro. Duas pessoas morreram, uma baleada e outra vítima de overdose, e outras três foram atingidas por tiros. Houve mais seis esfaqueamentos, 28 prisões e 12 furtos registrados nas delegacias.

Segundo Ferreira, o policiamento será reforçado. A Guarda Civil terá 500 homens a mais, totalizando 1.800, que se somarão aos 3,7 mil policiais militares - número que a própria PM não confirma. "A Polícia Militar esclarece que, por questões de planejamento estratégico, não divulga efetivos antes de grandes eventos, sendo certo que será perfeitamente compatível com sua dimensão e complexidade", respondeu a PM ao Estado.

Em 2013, havia muitos policiais na madrugada, mas era evidente, também, a falta de estratégia e ações. A reportagem flagrou homens da PM de braços cruzados, enquanto duas brigas aconteciam na região da Praça da República. Haddad diz que vai mudar este cenário. "A Polícia Militar fez um trabalho intenso com a Secretaria de Cultura para repensar a logística, criando novas rotas entre os palcos, o lugar de vulnerabilidade da população."

Juca Ferreira diz ter recebido estudo da Polícia Militar, solicitando a redução territorial da Virada de 20%. "Não reduzimos as programações, mas tiramos algumas atrações que ficavam em calçadas para limpar caminhos e criar mais segurança nessas rotas." Segundo o levantamento da PM, os problemas de 2013 aconteceram mais entre um palco e outro, durante o deslocamento das pessoas, e menos nas áreas de shows. Juca informou ainda que a cidade estará mais bem iluminada em pontos que estavam escuros no ano passado, e se tornaram áreas de furtos e roubos, como a Praça da República. "Já estamos tomando as providências para isso."

O prefeito Fernando Haddad não sabia o custo total da Virada. "Isso vocês podem perguntar ao Juca", disse aos jornalistas, arriscando uma cifra de R$ 9 milhões. Minutos depois, o secretário veio com outros valores. "Não tivemos redução de verba. Foram R$ 13 milhões, um pouco a mais do que no ano passado." Pela primeira vez, o evento conta com dinheiro privado. A Petrobrás contribuiu com R$ 1 milhão.

Um dos maiores destaques nos palcos é o retorno da banda Ira!, na abertura, às 18 h do dia 17, no palco Júlio Prestes. O vocalista Nasi e o guitarrista Edgard Scandurra não se falavam havia sete anos. O mesmo espaço será fechado, 24 h depois, pela cantora americana revelada pela gravadora Motown na década de 1960, Martha Reeves, hoje com 72 anos, e seu grupo The Vandellas. Outro dos poucos nomes internacionais é o guitarrista Stanley Jordan, que se apresenta no palco República, às 20 h do dia 17.

O Teatro Municipal segue sua agenda já tradicional de colocar artistas madrugada adentro refazendo o repertório de discos clássicos da MPB. Claudette Soares cantará o álbum Trem de Ferro (de 1969); Elza Soares, A Bossa Negra (de 1961); e Fausto Fawcett revisitará seu disco de 1987, que trouxe Kátia Flávia, o hit com o qual construiu sua carreira. O palco do rock segue na av. São João (com destaque para o show de Mark Farmer, que fez história como vocalista da banda Grand Funk Railroad).

A Viradinha, espaço para pais com filhos pequenos, mudou para a Praça Roosevelt com uma programação ampliada, com oficinas e shows. Os dois maiores nomes serão Pato Fu (como repertório do disco Música de Brinquedo) e a Galinha Pintadinha. A organização calcula que a Virada vai receber 4 milhões de pessoas.

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