Virada Cultural começa sem temor de violência

A abertura da Virada Cultura, em São Paulo, levou cerca de duas mil pessoas ao Vale do Anhangabaú, no centro da cidade, para acompanhar os shows de João Bosco e Banda Mantiqueira. Segundo os organizadores, cerca de três mil pessoas compareceram a este primeiro evento, menos do que na abertura do ano passado. Isso, no entanto, não é um indicativo de que as pessoas não saíram de casa porque estavam com medo, mas sim um resultado da pulverização das atrações em diversos pontos da cidade. No Theatro Municipal, antes do início da apresentação de Francis Hime e trio, às 19 horas, a fila já ganhava as calçadas.O presidente da SPtur, Caio Carvalho, avaliou com otimismo o clima dos primeiros minutos da Virada Cultural. "A cultura é um instrumento maior para combater a violência", disse, rejeitando os temores de que a onda de ataques do PCC pudesse esvaziar o evento. "A Virada Cultural é uma virada de página (na Violência dos últimos dias), e o público pode seguir em frente", completou.E foi exatamente o que fez o estudante Eduardo Sisti, de 17 anos. "Pensei duas vezes antes de sair de casa, mas agora as coisas estão mais tranqüilas", disse.Ao chegar a abertura da programação, no Anhangabaú, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, desmentiu as informações de que a prefeitura teria pensado em cancelar o evento por causa da violência. Para ele, essa será a virada da Paz. "Estamos muito tranqüilos. Quanto ao esquema de segurança, ele é a mesma do ano passado", resumiu o prefeito. O secretário de Cultura, Carlos Augusto Kalil, também está otimista e espera que esta edição tenha o mesmo número de ocorrências que no ano passado, que foi zero. "A gente não pode ficar refém da violência", disse.NovidadesNeste ano, uma das novidades é o horário de início dos eventos. De acordo com o secretário, começar às 14 horas não deu certo, porque as pessoas ficaram mais interessadas em participar de atividades noturnas. A Secretaria da Cultura disse que o evento terá 7 mil artistas e pessoas envolvidas na sua realização, enquanto no ano passado foram 2,5 mil. Não houve cancelamento de apresentações por causa da onda de violência. Apenas os organizadores da Virada Cultural em Campo Limpo, zona sul, optaram por suspender as atividades durante a madrugada.

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