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Virada Cultural começa neste sábado

Godzilla das festas populares, mostra se equilibra entre a opulência e a precariedade

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2012 | 03h07

Brian Birdstuff, baterista da banda de surf music americana Man... or Astro-Man?, está extasiado. "Rapaz, eu ouvi dizer que haverá 4 milhões de pessoas nas ruas, isso vai ser memorável!", disse, explicando como imagina o impacto de sua primeira vez na Virada Cultural de São Paulo.

Brian, você não tem ideia! Você (e os outros estreantes da Virada, como a bela cantora francesa Nadéah, o pianista de John Coltrane, McCoy Tyner, e dezenas de outros) vão se defrontar com o Godzilla das festas populares. Vocês verão mais de 4 mil policiais na rua, 10 grandes palcos, 10 grandes pistas de danças, ringues de luta livre, nerds lutando com sabres de luz, chefs estrelados cozinhando em via pública, 243 caminhões de lixo recolhendo as cascas.

A Virada Cultural é como a festa anual da MTV: todo mundo desdenha, mas todo mundo quer estar lá. Mesmo quem não vai fica falando dela nos dias que a precedem e nos que a sucedem. "Falta hip-hop", é uma das queixas mais frequentes. "Tem música demais e faltam artes cênicas e visuais", é outra crítica. "Tem muita farofa e pouco peru." Todas são procedentes, todas merecem respostas à altura.

A Virada Cultural tem se aperfeiçoado ao longo das últimas 7 edições, e é consenso que ainda tem muito o que melhorar. Mas também tem méritos indiscutíveis, e um deles é dar palco a quem este tem sido recusado. "Até de maca eu viria", disse no ano passado a cantora Vanusa. "Foi bom para colocar o joelho no lugar", brincou Jerry Adriani. Da precariedade de recursos do brega nasceu a força do Palco Arouche, e da abundância de recurso nasce a sofisticação de um concerto como o do quarteto de McCoy Tyner.

De fora das Viradas 2010 e 2011, o Teatro Municipal retorna restaurado e abrigando outros tipos de clássicos: o recital de piano de Arnaldo Baptista e o reencontro histórico de Cauby Peixoto e Ângela Maria. Treze unidades do Sesc estarão abertas e a todo vapor.

Das 18 h de amanhã às 18 h de domingo, os guardas civis estarão como baratas tontas atrás dos camelôs com garrafões de 2 litros de Coca-Cola contendo o malfadado "vinho químico" que turbina a jornada noite adentro - 96% de álcool, segundo o Instituto Adolpho Lutz, que analisou a bebida. O "viradeiro" que cai nessa é o pior tipo, é o que vê o evento como uma megaliquidação: peguem rápido tudo o que puderem porque a queima de estoque só dura 24 h (e, se não puderem pegar o melhor, peguem qualquer coisa). Então, a coisa a ser evitada é o consumo compulsivo - planeje carinhosamente o safári Virada adentro.

No ano passado, vendia-se de tudo. Garrafas de vinho Cantina do Vale custavam R$ 5, cachorros-quentes latiam no Arouche - o estômago da Virada é antes de tudo um forte. Para combater essa privação do paladar, trouxeram o Alex Atala e mais um time de feras para cozinhar no Minhocão. A fila da Galinhada do Dalva e Dito vai ser notícia antes mesmo de começar a se formar.

"É uma mostra que reúne milhares de coisas legais, mas às vezes as pessoas só falam do que dá errado. Não tem problema, a gente está aqui para ser criticado, é bom, mas tem de ver o caráter simbólico da mostra. Ela traz as pessoas para o centro da cidade, gente que nunca vem, reúne as famílias, ilustra a necessidade da renovação do centro. Mostra para a cidade que a cidade tem jeito", diz José Mauro Gnaspini, o big boss da festa.

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