Viper, uma volta ao ringue

Histórica banda nacional se reúne para miniturnê até o próximo mês

MARCELO MOREIRA, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h09

Os cinco garotos cabeludos de Higienópolis, bairro nobre da zona oeste de São Paulo, eram a resposta brasileira à altura para a praga insuportável da banda porto-riquenha Menudo, com sua música pop ruim e seus shows dublados. Pelo menos era assim que parcela expressiva dos apreciadores de rock pesado paulistanos enxergavam a banda Viper.

Enquanto o heavy metal brasileiro ainda engatinhava e tentava escapar do underground bem subterrâneo em 1986 - além de tentar fugir da enervante onipresença do Menudo -, os cinco adolescentes entravam em estúdio para registrar Soldiers of Sunrise, lançado naquele mesmo ano em LP. Calcado no som do então gigante Iron Maiden, o álbum logo ganhou aura de cult, sendo considerado o primeiro registro de qualidade do metal do Brasil, mesmo cantado em inglês, com excelente repercussão no Japão e boas críticas em revistas especializadas europeias.

Vinte e cinco anos depois, com o Menudo devidamente enterrado pela história, os agora quarentões decidiram celebrar em grande estilo o lançamento do álbum que se tornou um marco na música pesada nacional, agendando apresentações com parte da formação original e clássica. Amanhã, o quinteto é a atração na Via Marquês, uma casa nova na zona oeste de São Paulo.

A volta do Viper conta com uma boa novidade, o retorno de André Matos, o vocalista original que se tornou um músico de prestígio internacional, com passagens pelas bandas Angra, Shaman e colaborações com projetos importantes, como o Avantasia, do alemão Tobias Sammet (vocalista da banda Edguy).

Por enquanto, é apenas um reencontro de amigos para 15 shows em junho e julho, com a estreia tendo ocorrido em 22 de junho no acanhado e abarrotado Central Rock Bar, em Santo André (SP). A continuidade do projeto vai depender das conciliação das agendas dos músicos, especialmente de Matos, que tem elogiada carreira solo no exterior. "Mais do que uma celebração, é uma reunião de amigos para relembrar algo que foi importante para nós e para muitas pessoas. A receptividade tem superado as nossas expectativas", diz o guitarrista Felipe Machado, um dos fundadores e que se tornou jornalista após o fim da banda, nos anos 90.

O baixista e motor criativo do grupo é o baixista Pit Passarell, o principal compositor do grupo e que assumiu os vocais após a saída de Matos em 1990. Hoje é um respeitado compositor de pop rock. Yves Passarell, o outro guitarrista, substituiu Loro Jones no Capital Inicial ainda nos anos 90, enquanto Renato Graccia, um dos bateristas que tocaram no Viper, se tornou advogado.

Para os shows de 2012, Matos, Machado e Passarell chamaram o guitarrista Hugo Mariutti e o baterista Guilherme Martin, ex-músico do próprio Viper. É hora de comemorar o "nocaute" do inacreditável Menudo.

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