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Violoncelista Antonio Meneses apresenta concertos na Sala São Paulo

No programa do músico estão peças de Franz Schubert, Britten e do brasileiro Marco Padilha

JOÃO MARCOS COELHO - ESPECIAL PARA O 'ESTADO',

22 de novembro de 2012 | 02h07

O violoncelista Antonio Meneses faz dois concertos na Sala São Paulo neste fim de semana: desta quinta-feira, 22, a sábado, 24, promove, com a Osesp regida por Giancarlo Guerrero, a estreia mundial do concerto para violoncelo do compositor Marco Padilha, nascido em Campinas, onde estudou composição com Almeida Prado; e no domingo à tarde junta-se ao Quarteto Osesp para interpretar o célebre Quinteto para Cordas em Dó Maior, D. 956, op. 163, de Franz Schubert.

Quatro concertos que espelham bem o atual estado de espírito do músico pernambucano que conquistou o mundo 30 anos atrás, ao obter a medalha de ouro do Concurso Internacional Tchaikovski, em Moscou. Depois da decisiva experiência no Beaux Arts Trio, ao lado do pianista Menagem Pressler, Antonio vem pondo em prática duas premissas em seu dia a dia profissional: de um lado, a prática da música de câmara, exercício de respeito e integração com os demais parceiros; e a música brasileira contemporânea, estimulando compositores a criarem para o seu instrumento.

É o caso deste concerto que "encomendou" a Marco Padilha alguns anos atrás. "A obra passou por diversas etapas de criação", informa Antonio Meneses ao Estado. "O concerto do Padilha foi terminado já há uns 3 ou 4 anos e passou por diversas etapas de criação. É uma obra em um movimento contínuo com o acompanhamento de uma orquestra grande. É tecnicamente bastante difícil, basicamente por culpa minha, pois uma versão anterior me pareceu fácil demais e por isso pedi ao compositor que explorasse melhor as possibilidades do instrumento. Exige muito do solista."

De seu lado, Padilha afirma, em texto no programa do concerto, que o concerto "poderá ser interpretado pelos ouvintes como pura e hermética inquietação. Logo no início, após uma introdução soturna nos graves, surge um primeiro questionamento. Essa interrogação enigmática será respondida intempestivamente pelo violoncelo solista, com um tema rítmico". E conclui lembrando Rilke para definir sua obra num tom metafísico. "Talvez um fragmento poético de Rilke possa expressar com mais veemência: 'Ó transmutação dos sentimentos - em quê? em paisagem audível'".

No domingo à tarde, Antonio Meneses e o Quarteto Osesp interpretam uma das obras-primas da literatura camerística do século 19, o Quinteto para Cordas em Dó Maior, Op. 163, de Schubert, escrito no ano de sua morte, 1828. A sífilis avançava inexoravelmente. Em carta a um amigo, disse: "Imagine um homem cuja saúde nunca voltará a ser o que era e que por puro desespero só faz piorar as coisas, em vez de melhorá-las; imagine um homem, te digo, cujas mais luminosas esperanças se desvaneceram, a quem a felicidade do amor e da amizade não tem nada a oferecer exceto a dor (...) Minha paz desapareceu, meu coração está doente (...) posso cantar isso todos os dias; a cada manhã só recordo a aflição de ontem".

O quinteto tem no Adagio seu núcleo: soa como a prece de um condenado, em que o primeiro violino "conversa" com o segundo cello em pizzicati, num clima resignado e funéreo. Pintei com cores fortes o Adagio porque ele se transformou num daqueles adágios célebres utilizados como trilha para se caracterizar situações-limite. A mais inteligente talvez seja o modo com foi inserido no filme Conspiração, de 2001, dirigido por Frank Person, com Kenneth Branagh, Stanley Tucci e Colin Firth. Esta música paira todo o tempo numa trama macabra: no inverno de 1942, 15 homens de confiança do Reich liderados pelo general da SS Reinhard Heydrich, vivido por Branagh, reúnem-se secretamente em Wansee, nos arredores de Berlim, para decidir a "Solução Final" para o problema judeu.

Os concertos com a Osesp completam-se com repertório latino-americano: A Queda de Cuzco, peça de 2009 do uruguaio Miguel Del Aguila (55 anos, radicado nos EUA desde 1977); Meio-Dia no Llano, obra de 1947 do venezuelano Antonio Estevez (1916-1988); e completa-se com a Sinfonia de Buenos Aires, peça que em 1951 rendeu a Astor Piazzolla a bolsa para estudar em Paris com Nadia Boulanger.

No domingo, o primeiro quarteto de cordas composto por Benjamin Britten aos 28 anos, em 1941, quando se exilou voluntariamente nos EUA, completa o programa camerístico.

ANTONIO MENESES

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, tel. 3223-3966.

Nesta quinta-feira, 22, e sexta-feira, 23, às 21 h; sáb. às 16h30.

R$ 44/ R$ 149 (hoje, 10 h, ensaio - R$ 10); dom., 17 h. R$ 54/ R$ 62.

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