Violino que vai do clássico ao rock

Fã de heavy metal, Rachel Barton Pine se apresenta hoje, na Sala São Paulo, com a OSB

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Quando era menina, a violinista norte-americana Rachel Barton Pine vivia às voltas com os concursos para jovens instrumentistas. Para tornar seu estojo único, e não perdê-lo nessas andanças, ela começou a adorná-lo com adesivos que estampavam os nomes de seus ídolos na música. Beethoven? Händel? Brahms? Nada: Megadeth, Anthrax, AC/DC, e muitas outras bandas de heavy metal. Aos 36 anos considerada expoente de seu instrumento, Rachel ainda carrega em seus concertos pelo mundo as duas paixões.

"A música clássica e o heavy metal são muito próximos, e a influência é grande. Desde os 20 anos toco rock no violino. Aí comecei a pensar em meios de trazer o violino para um público maior. Adoro tocar Metallica e, depois, Paganini", diz Rachel, que mantém em seu portal na internet um link só dedicado ao rock, aberto com a brincadeira: "Aqui todo mundo pode bater cabeça ao som do violino!"

A violinista e seu Guarnieri Del Gesu de 1742 desembarcaram no Brasil para dois concertos com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Ontem, a apresentação foi no Teatro Municipal do Rio; hoje, será na Sala São Paulo. A solista conheceu o regente da OSB, Roberto Minczuk, oito anos atrás, em apresentações na Nova Zelândia.

Ela já era uma solista experiente. Toca desde os 3 anos. Aos 10, estreou com a Sinfônica de Chicago, sua cidade; aos 17, venceu o prestigioso concurso para violino JS Bach, em Leipzig. Gravou 16 discos. Ano que vem, apresenta-se com a holandesa Concertgebouw Orchestra, considerada a melhor da atualidade no mundo.

E faz ainda shows com sua banda de heavy metal, a Earthen Grave, criada há dois anos e influenciada pelo som do Black Sabbath e Judas Priest.

No Brasil, ela tocará uma peça com a qual volta e meia se depara: o Concerto para Violino Op 14 do compositor norte-americano Samuel Barber (1910-1981), o principal escrito por ele para o instrumento.

O concerto na Sala São Paulo encerra a temporada comemorativa dos 70 anos da OSB na cidade. O programa começa com Variações Sinfônicas, do compositor brasileiro José Antônio Rezende de Almeida Prado, que morreu no fim de semana, e tem ainda Schumann, Busoni e Respighi.

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