Violinista Jerzy Milewski lota convento no 3º dia da MIMO

Ao lado da pianista brasileira Aleida Schweitzer, polonês tocou de Pixinguinha a Luiz Gonzaga

Livia Deodato,

08 de setembro de 2007 | 18h50

O violinista polonês Jerzy Milewski e a pianista brasileira Aleida Schweitzer foram os responsáveis pela superlotação do Convento de São Francisco na última sexta-feira à tarde, no terceiro dia da Mostra Internacional de Música em Olinda (MIMO). O duo apresentou peças densas de Ignacy Jan Paderewski, Emil Mlynarski, Karol Szymanowski, além de releituras, propostas pelo amigo Cussy de Almeida, das clássicas e tocantes Carinhoso, de Pixinguinha, e Assum Preto, de Luiz Gonzaga.   Coincidentemente, o Quarteto Egan de cordas, que se apresentou pouco depois no Espaço Petrobras MIMO, montado no Mercado da Ribeira, também escolheu para o seu repertório a canção de Gonzaga. "O passarinho deve ter saído voando do Convento para o Mercado", brincou Milewski.   O músico e Aleida realizam um trabalho social digno de tantos aplausos quanto o concerto de sexta. Há 36 anos, quando chegou ao Brasil, Milewski não conseguia entender o porquê de um povo tão sensível se ausentar das salas de concerto. "Percebi que era por falta de costume e de oportunidade."   Então, com toda a sua generosidade, iniciou o projeto que chamou de Concertos Didáticos, que consiste em oferecer aulas de iniciação musical a crianças e jovens nas áreas periféricas de onde se apresentam. "Lecionamos durante o dia nas instituições públicas de ensino e à noite oferecemos essas mesmas aulas para a comunidade, para os pais desses alunos", conta. Graças ao convite da MIMO, cuja participação do duo ocorre desde a primeira edição em 2004, o duo pôde aplicar seu projeto em diferentes áreas de Olinda e Recife – e despertar o interesse da população pela música clássica.   Também ontem se apresentou Inez Viana com o acompanhamento do Grupo Gesta, do Rio. A cantora e atriz foi presenteada com 32 canções do escritor Ariano Suassuna, em sua maioria inéditas, muitas feitas em parceria com o amigo Capiba, como Canção do Recife, A uma Dama Transitória e São os do Norte que Vem. "Esse show é uma homenagem aos 80 anos de Suassuna e 10 anos sem Capiba." Parte desse repertório foi mostrado num show emocionante dentro da Igreja de N. S. da Graça. Suassuna havia prometido participar do espetáculo, mas por não se encontrar muito bem de saúde, não pôde comparecer. Esse tesouro valioso do Movimento Armorial deve, em breve, ser registrado em um álbum cujo nome já foi escolhido por Suassuna: Homenagem à Capiba.   Até dezembro, Inez pretende produzir um DVD do espetáculo, com a participação do autor da Pedra do Reino, no Teatro Santa Isabel, em Recife. Walter Carvalho se mostrou muito interessado em dirigir. "Em novembro, também vamos começar a ensaiar A Farsa da Boa Preguiça , com a direção de Aderbal Freire-Filho." Inez interpretará Clarabela e Rodolfo Vaz, do Grupo Galpão, será Aderaldo Catacão. A estréia está prevista para janeiro e deve passar por São Paulo, Belo Horizonte e Rio.   João Donato e Paulo Moura se apresentam hoje, às 18h30, e às 20h30 é a vez da Orquestra Petrobras Sinfônica, do Rio, regida por Isaac Karabtchevsky. Neste sábado, 8, de manhã, na Igreja da Sé, seis dos 12 participantes considerados os melhores do curso de regência, encerrado na sexta, tiveram a oportunidade de também reger a OPES. O baiano Leandro Gazineo abriu com O Guarani, de Carlos Gomes, seguido por Ciro Taber com o Prelúdio das Bachianas n.° 4. André Muniz, José Renato Acioly, Koichiro Kanno e Nobuaki Nakata regeram os 4 movimentos da Sinfonia n.° 5, de Tchaikovsky. "A carreira de um regente não é estável. Temos de ir onde estão os grandes mestres. Não poderia perder a oportunidade de aprender com o Karabtchevsky. A competência dele é indiscutível. Um dos maiores ícones de regência no Brasil", disse Gazineo, de 30 anos.   A repórter viajou a convite da organização do festival

Tudo o que sabemos sobre:
MIMO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.