Violência urbana é o tema de 'Disparos', de Juliana Reis

Quantas vezes já ouviu que quem conta aumenta um ponto? A diretora Juliana Reis tem uma versão um pouco diferente. Há quatro anos, ela ficou muito impressionada com o relato de um amigo, vítima da violência no Rio - mas que, no fundo, poderia ser a violência urbana de qualquer grande cidade do País. Ela recontava a história - e jura que não aumentava ponto nenhum. O que a surpreendia é que as pessoas tinham sempre uma história parecida para contar. Da soma dessas histórias, Juliana escreveu um roteiro que virou filme, premiado no Festival do Rio.

AE, Agência Estado

23 de novembro de 2012 | 11h14

Disparos estreia neste sexta-feira, um período excepcionalmente curto, se você considerar que o vencedor do mesmo festival em 2011 - o admirável A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinicius Coimbra - ainda não tem data de lançamento. Pergunte a nove entre dez diretores brasileiros, talvez aos dez. Eles vão dizer que dinheiro para fazer cinema no País é sempre complicado, mas pior ainda é furar o bloqueio da distribuição e da exibição. Juliana teve a sorte de encontrar uma equipe - de atores e técnicos - que se comprometeu com ela, e seu projeto, a ponto de começar a fazer Disparos antes mesmo que os recursos começassem a ser liberados. Distribuição e exibição também queimaram etapas - o melhor filme brasileiro do ano, avalizado em importantes eventos de cinema no Brasil e no exterior, estreia na primeira semana de janeiro. O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, também estará chegando logo ao mercado.

São filmes autorais, que não têm necessariamente, ou nem um pouco o perfil das produções que são apostas de público. Disparos é sobre um fotógrafo que é assaltado por dois caras numa moto. Mais um pouco e ele assiste ao atropelamento dos assaltantes. Volta para recuperar o material roubado, omitindo socorro às vítimas, e por isso passa a culpado e a réu, sendo levado à delegacia. Estabelece-se um jogo de poder, de dominação e submissão, entre o policial Caco Ciocler e a vítima, que não é mais vítima, Gustavo Machado. Como diz Ciocler, "um lesado que não presta queixa e recupera o produto roubado, deixa de ser vítima".

Juliana Reis assina seu primeiro longa. Pode ser utopia, mas ela acha que Disparos representa uma nova perspectiva e tendência do cinema nacional. "Um cinema ancorado no nosso tempo e espaço, no qual o público se enxerga e que pode servir como instrumento de uma transformação - do espectador." Foi com esse discurso, e essa convicção, que ela conseguiu cooptar gente talentosa para o projeto. Os prêmios - Redentores de fotografia, montagem e ator coadjuvante (para Caco Ciocler) - somente vieram confirmar a acolhida favorável que Disparos teve no Rio.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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