Violência entre dois mundos

Nova série de investigação explora relações delicadas na fronteira entre México e EUA

FERNANDA BRAMBILLA , ESPECIAL PARA O ESTADO, CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h09

Um corpo de mulher estendido no chão, atravessado na fronteira entre México e Estados Unidos, é a cena preparada com cuidado e sordidez por um assassino em série. Assim como a linha que divide as duas nações tem segurança armada e comunicação interrompida, também está o corpo, com a cabeça em El Paso, Texas (EUA), e as pernas em Ciudad Juárez (México).

Na altura da cintura, uma provocação macabra: cortadas a bisturi, cada metade corresponde a uma mulher e uma causa distintas. A parte superior é de uma juíza que bradava contra a imigração ilegal de mexicanos; na parte de baixo, uma prostituta indigente, vítima da violência de uma das cidades mais perigosas do mundo. A premissa de The Bridge, série policial do FX que estreia no Brasil dia 21, às 22h30 (os seguintes episódios serão exibidos aos domingos, às 23h), personifica a relação conturbada dos países vizinhos a partir de dois policiais dessas duas nacionalidades, interpretados por Diane Kruger e Demián Bichir, que se unem na investigação.

Bichir, atualmente o ator mais importante do México, ganhou fama internacional após uma indicação para o Oscar por Um Mundo Melhor (2011) e só aceitou o papel depois de assegurar-se de que os problemas retratados na série não se limitariam a seu país. "Vamos abordar a corrupção, o jogo de interesses, e outros aspectos presentes nos dois países", disse o ator, que concedeu entrevista ao Estado na Cidade do México para o lançamento de The Bridge. "A política externa dos Estados Unidos tende a pregar que o errado sempre são os outros e não é bem assim."

Do lado do Texas, quem comanda a caça ao assassino é a detetive Sonya Cross, personagem de Diane Kruger. Mas a beleza da atriz, conhecida por Bastardos Inglórios (2009), é ofuscada pelos traços de sua personagem, fria, meticulosa, de emoções parcas - atribuídos ao mal de Asperger, considerado uma forma branda de autismo. O produtor executivo da série, Brian Elwood Reid, que assina o roteiro, contou que a atriz alemã recebeu acompanhamento de um paciente de Asperger, que a instrui no set.

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