Violência contra mulheres

Se você procurar na internet por Saving Face, encontrará farta documentação sobre a comédia romântica lésbica de Alice Wu que virou uma espécie de queridinho entre programas para plateias GLST nos EUA. O Saving Face que passa hoje no É Tudo Verdade é outra coisa. Salvando a Face, de Daniel Junge e Sharmeen Obaid, é uma coprodução entre Estados Unidos e Paquistão sobre um tema barra-pesada.

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h09

Vencedor do Oscar de curta deste ano - embora seja um média-metragem de 40 min -, o filme dá conta de um tema da maior gravidade. A violência contra mulheres que tiveram o rosto desfigurado por ácido pode ser um signo de barbárie, mas não é tão rara quanto qualquer pessoa civilizada poderia pensar. Todo ano, cerca de 100 mulheres são brutalizadas dessa maneira pelos maridos, no Paquistão.

E não apenas por eles - uma das histórias mais impressionantes é a da mulher que, após a agressão do marido, ainda sofreu a da cunhada e da sogra. Uma jogou gasolina em seu corpo e a outra ateou fogo. Como ela sobreviveu, encerraram-na num quarto, para que morresse.

A dupla de diretores não investiga apenas a sociedade machista e patriarcal que autoriza esse tipo de agressão. Mostra os esforços de profissionais de saúde - cirurgiões plásticos e psicólogos - para descortinar uma outra possibilidade de vida para essas sobreviventes.

O que poderia ser um relato intimista vira um épico da indignação. O tema de Junge e Sharmeen é a luta - dos médicos e suas pacientes, que precisam vencer a vergonha; da parlamentar paquistanesa que enfrenta reações de homens e mulheres no Parlamento do país para passar uma lei que realmente responsabilize os agressores. / LUIZ CARLOS MERTEN

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.